Após pressão inflacionária, melhora leve na avaliação reflete alívio com preços dos alimentos.

Segundo a pesquisa mais recente Genial/Quaest, realizada em maio, a parcela da população que avalia que a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses recuou de 56% em março para 48% em maio.
Ao mesmo tempo, aumentou a percepção de que o cenário se mantém estável (de 26% para 30%), enquanto 18% dizem que melhorou (alta discreta ante os 16% anteriores). Quase 4% não souberam ou não responderam.
Por que essa mudança?
O principal ponto de variação na avaliação da população foi o declínio na pressão dos preços dos alimentos — que têm grande peso no bolso do cidadão — ao longo do último bimestre. Esse alívio da inflação alimentar, como interpretado por especialistas, foi determinante para a retração dos pessimistas.
Além disso, a estabilização nos preços contribuiu para elevar a confiança moderada de parte dos entrevistados, que passaram a enxergar um cenário de manutenção ou leve melhora, embora ainda abaixo dos níveis considerados ideais.
Comparativo com outras pesquisas
Dados anteriores da Genial/Quaest mostram que entre abril de 2024 e outubro de 2024, a economia era vista como pior para 38% dos brasileiros — um patamar bem inferior ao registrado em março deste ano (56%). Agora, este índice voltou a subir, mas já sinaliza um leve retorno à confiança, com os números se ajustando em direção ao equilíbrio.
O que vem pela frente?
Apesar de quase metade da população ainda enxergar piora econômica, a redução de 8 pontos percentuais sinaliza um movimento de melhora. A expectativa dos analistas é de que a inflação contínua em desaceleração e medidas de estímulo possam empurrar a percepção dos brasileiros para patamares mais positivos nos próximos meses.
Resumo rápido
48% dizem que a economia piorou (antes 56%)
30% acreditam que permaneceu estável
18% veem melhora
Redução veio após queda nos preços de alimentos — que aliviam o bolso do consumidor.
Principais fatores explicados pelo levantamento
Queda nos preços dos alimentos.
Em abril, o IPCA‑15 registrou aumento de 3,4% em alimentos e bebidas no acumulado de 2025 até abril, mas houve desaceleração na dinâmica do mês, com alta de apenas 0,39%
Destaques: café (+45,1%), ovos (+28%) e tomate (+67,4%) — categorias essenciais que pesam no orçamento familiar.
Alívio no preço da gasolina
Sentido pela população: em março, 70% percebiam alta nos combustíveis; em maio, esse número caiu para 54%, segundo a pesquisa
Expectativas para o futuro
Ao projetar os próximos 12 meses, 45% acreditam que a economia melhorará, 21% esperam que permaneça estável, e 30% temem piora — uma leve melhora comparada a março.
Contexto político e impacto social
Apesar da melhora na percepção econômica, a reprovação ao governo Lula alcançou 57%, o pior índice do mandato, enquanto a aprovação se mantém em 40%.
Além disso, 79% das pessoas que conhecem as medidas do governo aprovam as políticas econômicas anunciadas, ainda que 60% não tenham familiaridade com elas.
Interpretação geral
O recuo da percepção de piora da economia indica que o alívio no bolso — especialmente com alimentos e gasolina — já está sendo sentido pelo cidadão.
Ainda assim, uma parcela significativa mantém a visão negativa, demonstrando que desafios como desemprego e juros ainda pesam.
A queda na inflação pode impulsionar a confiança do eleitorado, mas o governo enfrenta um quadro político delicado refletido nos altos índices de rejeição.
Informações sobre a pesquisa
Entrevistas com 2.004 pessoas, entre 29 de maio e 1º de junho de 2025.
Margem de erro de ±2 pontos porcentuais.
Nível de confiança: 95%








