Ratificação pelo Paraguai e aplicação provisória em maio geram debates sobre desmatamento, agrotóxicos e povos indígenas.

O acordo comercial Mercosul-União Europeia, ratificado pelo Paraguai em março após décadas de negociações, entra em aplicação provisória em maio de 2026, reduzindo tarifas em 95% dos bens brasileiros (92% do valor importado pela UE em 12 anos).
Especialistas alertam para riscos como expansão do desmatamento, mineração e importação de agrotóxicos proibidos na Europa, como clorpirifós (Bayer) e cianamida (BASF), com projeções de alta de 47-60% em químicos até 2032.
Lis Cunha (Greenpeace Internacional): “Ou seja: contanto que os resíduos de agrotóxicos no produto final não sejam altos, é permitida a entrada”. Ela critica a base exploratória do tratado, defendendo renegociação total para sustentabilidade.
Carolina Alves (Inesc): “A gente tem um processo de extração mineradora no país que oferece risco”, citando Brumadinho e Mariana.
O EUDR (antidesmatamento da UE), adiado para dezembro/2026 (grandes operadores) e junho/2027 (pequenos), exige comprovação de origem livre de desmatamento para soja, carne, café etc., mas exclui Cerrado/Pantanal e enfrenta flexibilizações.
Dinaman Tuxá (Apib): “Com essa flexibilização, ou com a morosidade na sua aplicação, as terras indígenas e as unidades de conservação estão sendo alvo da expansão agrícola na Amazônia e, principalmente, no Cerrado”. Ele denuncia falta de consulta aos indígenas e pressões do agro/mineração.

Próximos passos para ratificação no Brasil
No Brasil, após aprovação congressional (Câmara e Senado em março de 2026), o acordo segue: revisão legal e tradução pelo Executivo; envio à Casa Civil e Congresso para Decreto Legislativo; promulgação presidencial (ratificação pelo presidente); e notificação formal ao depositário (UE), ativando vigência no mês seguinte.

Impacto nas exportações do agronegócio brasileiro e benefícios econômicos
O agro brasileiro, que já envia US$ 22,89 bi à UE (48,5% das exportações em 2025), ganha isenção em 82% das tarifas para frango, café, frutas, peixes, óleos vegetais, carnes e soja (com cotas), elevando competitividade e balança em +US$ 302,6 mi.
Benefícios incluem: PIB +0,46-1,4% até 2040 (Ipea/World Bank); mais investimentos estrangeiros; preços menores de fertilizantes/máquinas; diversificação de mercados (reduz dependência da China); e modernização via EUDR e cooperação.
Defensores, como Marina Silva, veem equilíbrio: redução de desmatamento (50% Amazônia, 32% Cerrado em 3 anos) e promoção de cadeias sustentáveis.
Estudos da LSE/UnB indicam riscos limitados, com diálogo fortalecido e compromisso com Acordo de Paris – mas sem sanções vinculantes por descumprimento. Greenpeace contesta, prevendo mais de 5% de desmatamento em 6 anos.








