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Campo Grande, 17 de agosto de 2026

Tarifaço: Carne nos EUA atinge preços recordes

  • 14 de agosto, 2025
  • Economia, Internacional
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Tarifas impostas por Trump e baixa oferta de gado elevam custo de cortes e hambúrguer no país

Imposto sobre a carne brasileira praticamente inviabiliza as compras do Brasil

O preço da carne nos Estados Unidos alcançou patamares históricos nas últimas semanas. Brasileiros que vivem no país relatam choque e dificuldade para manter hábitos alimentares diante da disparada de preços.

“Os Estados Unidos vão quebrar, a carne está caríssima e não tive coragem de pagar”, disse uma moradora em vídeo publicado nas redes sociais. Ela mostrou que uma bandeja de frango custa US$ 12,28 com osso e US$ 20 sem osso, enquanto optou por um pequeno pacote de carne bovina por US$ 11 para apenas uma refeição. “Uma bandeja maior eu vi a US$ 45”, relatou.

ALTA GENERALIZADA

Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o preço médio do hambúrguer de carne moída atingiu US$ 6,12 por libra (454 g) em junho de 2025, alta de quase 12% em um ano e recorde histórico. Cortes como costeletas e bifes registram valores médios entre US$ 11,49 e US$ 11,87 por libra, cerca de 8% acima de 2024.

Especialistas apontam que a disparada é resultado de uma combinação de fatores:

Tarifas de importação: o governo Trump impôs um imposto de 50% sobre a carne brasileira, que com encargos indiretos chega a quase 76%, praticamente inviabilizando as compras do Brasil. Canadá e México também enfrentam tarifa de 25%.

Oferta interna reduzida: o rebanho bovino norte-americano está em níveis historicamente baixos devido à seca e ao aumento do custo da ração.

Pressão global: países como a Austrália, que pagam tarifas menores (cerca de 10%), aumentaram exportações, mas não conseguem suprir toda a demanda.

IMPACTO PARA O BRASIL

O Brasil é o maior exportador de carne bovina para os EUA, com 229 mil toneladas enviadas em 2024, sendo 60% destinadas à produção de hambúrguer. A expectativa para 2025 era chegar a 400 mil toneladas, mas a nova política comercial ameaça cortar esse volume e gerar um prejuízo de até US$ 1 bilhão para o setor, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Para o mercado interno brasileiro, a perspectiva é de alta no preço do boi gordo no médio e longo prazo, já que menos carne poderá ser exportada e a produção se ajustará ao novo cenário. “A tarifa do Trump tem um impacto no curto prazo, mas com o tempo o mercado volta a se equilibrar”, explica Thiago Bernardino, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

PERSPECTIVAS

Economistas avaliam que a pressão nos preços deve continuar nos próximos meses, especialmente se as tarifas se mantiverem e as condições climáticas seguirem desfavoráveis. Restaurantes e redes de fast food já reportam margens de lucro menores e mudanças nos cardápios para lidar com os custos mais altos da proteína bovina.

Enquanto isso, consumidores nos EUA buscam alternativas mais baratas, como frango e proteínas vegetais, mas reconhecem que, para muitos, o sabor e a tradição da carne bovina continuam difíceis de substituir — ainda que o preço pese cada vez mais na decisão de compra.

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