O Brasil e os brasileiros estão vivendo um momento desafiador em sua história. É um teste, acima de tudo, de afirmação de brasilidade e de capacidade para atravessar o rubicão imposto pelo governo dos EUA.
Quando o presidente Donald Trump abriu sua bateria de retaliações contra o Brasil, acionando a Lei Magnitsky com o STF na alça de mira e o tarifaço de 50% para alvejar a economia e o governo do país, levantou-se uma onda de apreensão e temores. Afinal de contas, o que poderia fazer um ratinho diante deste terrível e gigantesco leão, o mais robusto e poderoso do planeta, senão aceitar a pancada e submeter-se.
Só que não. O Brasil, apesar de todas as suas dificuldades e em larga escala da economia em posição inferiorizada, é um ratinho que ruge. E não se sujeitou às patas do leão enorme e feroz, cujo urro, antes tão aterrador, começa a apresentar sinais de rouquidão, a afinar-se, porque é uma voz que ecoa em dólares. E esse eco já não é o mesmo de outrora.
Isto mesmo: a economia norte-americana deixou de ser a voz absoluta e definitiva das relações mundiais. E tudo por causa do chamado “tiro nos próprios pés” disparado com o gatilho do tarifaço, que vem causando aos EUA alguns tombos. As empresas começaram a transferir aos consumidores mais impactos relacionados às tarifas, como frisou um jornal, registrando que o preço das carnes dispara em terras norte-americanas dias após as mega tarifas entrarem em vigor em dezenas de países.
Brasileiros que moram no país norte-americano registraram que a carne bovina é a mais afetada. Dados do próprio governo americano, incluindo os do Departamento de Comércio, mostram que os preços subiram em junho em itens altamente expostos a tarifas, como móveis, brinquedos e eletrodomésticos. Hoje, com 694 exceções, todo produto exportado pelo Brasil aos EUA paga uma tarifa de 50%.
A imprensa informa que até o momento isso não teve impacto nos indicadores econômicos brasileiros, porém nos EUA há evidências de que as companhias estão ficando sem opções para manter os preços estáveis diante da deterioração das margens de lucro. Em miúdos: com a carne bovina, o café, o hamburguer e os sucos de laranja mais caros, o povo norte-americano pode estar preparando para, na próxima eleição, fazer a Trump aquela clássica despedida do Arnold: “Hasta la vista, baby!”.