Prefeita recuou o reajuste dizendo não ter conhecimento da dura realidade das contas da Capital.

Uma novela que vem se arrastando há longo tempo, sobre a política salarial do funcionalismo público municipal, está sendo detonada por uma gestão de flagrante incompetência para lidar com as responsabilidades que lhe cabem.
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), confessou publicamente que até hoje, em três anos de mandato, ainda não sabe qual o tamanho do orçamento da prefeitura e nem mesmo quais seriam as suas possibilidades de aplicação na pauta salarial. Não sabe e não procurou saber, antes de se comprometer em fazer o reajuste.
Se tivesse estas informações básicas e obrigatórias para quem ocupa o cargo mais alto e de maior responsabilidade no município, a prefeita não teria assumido o compromisso de atualizar a faixa salarial de centenas de servidores, com defasagens acumuladas desde o início da gestão.
A grave contradição foi revelada quando ela quis justificar o injustificável ao presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Papy (PSDB) e aos vereadores, que já estavam prontos para votar a proposta que elevaria os salários.
A pauta de votações teve que ser alterada e esta matéria suspensa, deixando vereadores e servidores surpresos e contrariados. No encontro que teve com Papy, a prefeita relatou que só ficou sabendo da incapacidade financeira do tesouro pouco antes daquela agenda. Então, recuou: em vez de um reajuste de 67% a partir do próximo mês, ela propôs um escalonamento de 16,75% ao ano até 2028.
Vale pontuar que a polêmica sobre o salário do funcionalismo incluiu até o Judiciário e do Ministério Público Estadual. Adriane entrou com um recurso no Tribunal para barrar o reajuste que havia sido consagrado em lei promulgada pela Câmara.
O MPE entrou em cena e apontou solução dentro de um acordo com anuência da prefeita e dos vereadores. No entanto, tudo voltou à estaca zero, e de uma forma das mais vergonhosas para quem está com as chaves do cofre e da cidade nas mãos.






