Federação norueguesa apresenta duas queixas formais e pede investigação sobre prêmio da paz a Trump, caso Balogun no Mundial-2026 e projeto que previa venda de parte da Copa a investidores privados.

Noruega formaliza denúncias contra presidente da Fifa
A Federação Norueguesa de Futebol (NFF) tornou-se a primeira entidade nacional a levar o presidente da Fifa, Gianni Infantino, diretamente aos órgãos de controle da própria entidade. Nesta terça-feira (6/10), a NFF apresentou duas queixas formais ao Comitê de Ética e ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade (GACC) da Fifa, pedindo a apuração de suposta má conduta, abuso de poder e conflito de interesses.
As acusações giram em torno de três episódios considerados interligados pela federação escandinava: a criação e entrega do Prêmio da Paz da Fifa ao presidente dos EUA, Donald Trump; a suspensão da punição ao atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026; e o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa abrir a Copa do Mundo a investidores privados.
Prêmio da Paz a Trump é apontado como “elo central”
A NFF considera que a relação entre Infantino e Trump é o principal elemento que caracteriza má conduta na gestão do dirigente. Em dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026, em Washington, Infantino entregou a Trump o primeiro “FIFA Peace Prize – Football Unites the World”, prêmio criado pelo próprio presidente da Fifa para homenagear pessoas com “ações excepcionais pela paz”.
Para a presidenta da Federação Norueguesa, Lise Klaveness, a concessão do prêmio a um chefe de Estado que também interveio em assuntos esportivos específicos configura conflito de interesses. “A FIFA Forward Enterprise é uma questão de governança, mas está ligada aos outros dois casos devido a conflitos de interesse e possível abuso de poder”, disse Klaveness ao jornal “The Times”.
Veículos internacionais já haviam registrado críticas à premiação, classificando-a como politizada e questionando a aproximação entre Infantino e Trump, que incluiu posts e entrevistas em apoio ao mandatário norte-americano.
Caso Balogun e interferência política no esporte
O segundo ponto das denúncias refere-se ao chamado “caso Balogun”. Durante a Copa do Mundo de 2026, o atacante norte-americano Folarin Balogun recebeu cartão vermelho em partida da seleção dos EUA. Posteriormente, a suspensão foi retirada após intervenção de Donald Trump, segundo apurações da imprensa.
A NFF argumenta que a decisão fere princípios de independência esportiva e sugere que a Fifa teria cedido a pressões políticas. Na visão da entidade, esse episódio se conecta ao prêmio dado a Trump e ao projeto FFE, formando um padrão de uso indevido de atribuições e influência da entidade.
FIFA Forward Enterprise: plano de “vender parte da Copa”
O terceiro eixo das acusações é o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), iniciativa de Infantino que previa a criação de uma estrutura empresarial para atrair investidores privados a participarem de direitos relacionados à Copa do Mundo.
A NFF classifica o FFE como questão de governança, mas sustenta que o projeto também está ligado aos outros dois casos por envolver conflitos de interesse e possível abuso de poder. Segundo a federação, há um “elemento recurrente” nos três episódios: “o uso indevido das atribuições e da influência da Fifa”.
A proposta de abrir a Copa a fundos de investimento gerou resistência de federações e críticos, que temiam a privatização parcial do principal produto da entidade e a concentração de decisões em torno da presidência.
Duas queixas, dois comitês: o que a Noruega pede
A primeira queixa, apresentada ao Comitê de Ética da Fifa, solicita que a conduta de Infantino seja investigada por possível violação do Código de Ética da entidade. A segunda, enviada ao GACC, questiona se a Fifa seguiu seus próprios planejamentos internos e regras financeiras ao tratar dos três temas.
Na prática, a NFF quer que os comitês examinem:
-Se Infantino respeitou procedimentos e regulamentos aplicáveis nos três casos;
-Se houve extrapolação de competências, abuso de autoridade ou conflito de interesses;
-Se as decisões adotadas seguiram os filtros legais e de governança previstos no estatuto e nas normas da Fifa.
Oposição a Infantino ganha corpo dentro da Fifa
A movimentação da Noruega é lida por veículos esportivos como o “primeiro grande movimento oficial” contra Infantino dentro da estrutura da Fifa, em um momento em que o dirigente já enfrenta oposição de federações e críticos de sua gestão.
Em reações anteriores a críticas, Infantino chegou a acusar a UEFA de promover “campanha de desinformação” e de tentar “influenciar” processos eleitorais, segundo noticiaram veículos internacionais. Agora, com as queixas formais nos comitês de Ética e Compliance, a pressão sobre o presidente da Fifa tende a aumentar, especialmente se as investigações avançarem e produzirem relatórios públicos.






