Justiça absolve ex-secretário acusado indevidamente de estar envolvido em obra rodoviária sob suspeita

O engenheiro e ex-secretário estadual de Obras, Wilson Cabral Tavares, teve que passar 10 longos anos de uma incômoda e angustiante espera até sentir o maior alívio de sua vida. Na sexta-feira (26), ele foi absolvido da acusação de improbidade administrativa configurada no processo que apurava se houve irregularidades na execução de obras na MS-228, em Corumbá, executadas pela Proteco Construções Ltda com recursos do governo estadual.
A absolvição foi oficializada em uma sentença do juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande. Ele entendeu que o ex-secretário não teve a participação apontada na denúncia do Ministério Público Estadual (MPMS), segundo a qual Tavares teria aprovado, sem a comprovação técnica de execução dos serviços, um ajuste contratual que elevou os custos daquela obra em mais de R$ 1 milhão.
O magistrado considerou que Tavares se baseou em um parecer técnico elaborado pelo fiscal responsável na execução da obra, com a chancela do departamento jurídico da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), afastando a alegação de dolo ou intenção de beneficiar terceiros. Nantes Corrêa pontuou também que interceptações telefônicas analisadas no processo indicam que Tavares não gozava de proximidade com os empresários investigados.
Ao fazer esta observação, o juiz foi além, afirmando que em alguns diálogos Tavares demonstrava não aceitar contato com os integrantes do grupo que foi acusado de fraudes. Isto, reforçou Corrêa, “corrobora a conclusão de que {Tavares} não participava e tampouco tinha ciência da existência do esquema de medições registrado nos autos”.
Com a sentença, afirma-se o restabelecimento da verdade e se esvazia qualquer suspeita, sendo sua inocência atestada pelo despacho do Judiciário. Wilson Cabral Tavares, atualmente com 70 anos, está entre os profissionais mais requisitados da área de engenharia e goza de grande credibilidade em Mato Grosso do Sul. Neste processo, foram absolvidos ele e mais três pessoas e 10 condenadas.








