Mercado reage a dados de inflação nos EUA, conflito com Irã e expectativas para decisões de bancos centrais.

O mercado financeiro iniciou o dia com oscilações, refletindo um cenário externo mais tenso e dúvidas sobre os rumos dos juros. Por volta das 10h20 (de Brasília), o Ibovespa subia 0,68%, aos 169.813 pontos, enquanto o dólar avançava 0,25%, cotado a R$ 5,18.
Pressão externa e cenário global
Os mercados internacionais operam sob cautela após nova escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. O ex-presidente Donald Trump afirmou que o Irã “terá que pagar o preço” pela demora em negociações, enquanto ataques entre os países foram registrados.
Esse cenário elevou o preço do petróleo Brent, que subia cerca de 1,6%, pressionando expectativas de inflação global e aumentando a aversão ao risco entre investidores.
Inflação nos EUA e juros altos
Outro fator relevante é a divulgação da inflação americana. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,5% em maio e acumula alta de 4,2% em 12 meses, ainda bem acima da meta de 2% do Federal Reserve.
Com isso, cresce a percepção de que os Estados Unidos devem manter juros elevados por mais tempo. Esse movimento fortalece o dólar globalmente e reduz a atratividade de mercados emergentes como o Brasil.
Impactos no Brasil
No cenário doméstico, o comportamento do dólar e dos juros reflete esse ambiente externo. A moeda americana segue próxima das máximas recentes e acumula valorização nas últimas semanas.
Além disso, aumentaram as apostas de que o Banco Central brasileiro deve manter a taxa Selic em 14,50% ao ano na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17 de junho, diante das pressões inflacionárias vindas do câmbio e do petróleo.
Bolsa depende de capital estrangeiro
A Bolsa brasileira também sente os efeitos da redução do fluxo internacional. Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 14,9 bilhões da B3 em maio, no maior volume mensal desde 2022.
Esse movimento tem sido impulsionado por fatores como juros altos nos EUA, cautela com o cenário fiscal brasileiro e realização de lucros após a valorização do início do ano.
Apesar da alta pontual nesta manhã, o Ibovespa ainda acumula queda de cerca de 15% desde meados de abril, refletindo a mudança de humor do mercado.
Perspectivas
A atenção dos investidores segue voltada para as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além do desenrolar das tensões geopolíticas.
A combinação de juros elevados, dólar forte e incertezas externas deve continuar influenciando os mercados nos próximos dias.








