Asfalto da MS-436 que esfarelava há 12 anos desde que foi feito, está sendo substituído. O Projeto de restauração de mais de 111 km receberá aporte superior a R$ 194 milhões com obras divididas em dois lotes.
A pavimentação asfáltica da MS-436, que liga os municípios de Camapuã e Figueirão, entra em nova fase de restauração total depois de anos de problemas, acidentes e reclamações devido a buracos, fissuras e condições que comprometiam a segurança viária na região norte de Mato Grosso do Sul.
Esfarelamento precoce da MS-436
Já em 2015, aproximadamente um ano e nove meses após a entrega da rodovia, foram registrados relatos de que o pavimento “virava farelo” com o tráfego, o que evidencia que o asfalto não estava resistindo a utilização de um tráfego normal. Buracos, remendos constantes e soltos de pedras compunham o cenário em diversos trechos, tornando a estrada perigosa e onerosa em manutenção.
A má qualidade da pavimentação asfáltica executada na gestão de André Puccinelli acendeu alertas — reforçados pelas investigações da Operação Lama Asfáltica — de que houve mais que problemas naturais de desgaste: possivelmente falha técnica e material de qualidade inferior que poderiam denotar indícios de má versação da verba pública investida na pavimentação desta importante via de acesso à região norte do Estado.
Originalmente inaugurada em abril de 2013, o asfalto da MS-436 já se deteriorava em menos de dois anos depois de sua entrega, o que está sendo corrigido só agora. Com a supervisão do governo estadual e investimento autorizado em mais de R$ 194 milhões, serão restaurados os 111,2 quilômetros da rodovia MS-436.
Estrada com histórico de falhas e investigação
A rodovia ficou conhecida não apenas pelos buracos, mas também por denúncias de má execução da pavimentação original. O asfalto, que começou a se desintegrar poucos anos após a inauguração, tornou-se alvo da Operação Lama Asfáltica, investigação da Polícia Federal que apura superfaturamento e corrupção em obras públicas no Estado. Empresas responsáveis pela obra inicial, como Sanches Tripoloni, Proteco e CGR Engenharia, foram citadas nas apurações.

O desgaste prematuro contribuiu para uma série de acidentes. Em abril deste ano, por exemplo, um ônibus que transportava trabalhadores de Camapuã para uma fazenda de eucaliptos em Figueirão despencou de uma ponte depois que o motorista perdeu o controle ao desviar de um buraco, deixando 34 feridos e uma vítima fatal.
A execução do serviço está sendo dividida em dois lotes:
Lote 1: do entroncamento com a BR-060, em Camapuã, até Pontinha do Cocho — 61,60 km, com investimento estimado em cerca de de R$ 131.866.652,70.
A empreiteira paulista Vale do Rio Novo venceu a licitação para reformar 61,6 quilômetros do trecho entre Camapuã e Pontinha do Coxo, oferecendo um desconto de R$ 2,2 milhões sobre o valor máximo estipulado. O contrato, homologado em diário oficial, prevê investimento mínimo de R$ 131.866.652,70, enquanto o governo estava disposto a desembolsar até R$ 134.079.892,17.
Lote 2: de Pontinha do Cocho até Figueirão — aproximadamente 49,6 km, investimento em torno de R$ 101.212.310,02 milhões.
Além da reconstrução do pavimento, o projeto contempla melhorias estruturais que incluem nova drenagem, reconstrução de meios-fios e descidas d’água, instalação de dispositivos de proteção, visando maior durabilidade e mais segurança para motoristas e moradores.
Somando os dois contratos, a recuperação total da MS-436 consumirá pouco mais de R$ 233 milhões. O investimento tem apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e busca reforçar a durabilidade da pista, além de garantir economia em manutenções.
A restauração da rodovia se mostra essencial para facilitar o escoamento da produção rural da região, reduzir os custos do estado com manutenções temporárias (tapa buracos) — que chegaram a cerca de R$ 5 milhões apenas entre janeiro de 2023 e abril de 2024 — e melhorar as condições de tráfego, reduzindo consideravelmente o número de sinistros registrados na região.
Com essas intervenções, espera-se não só solucionar os problemas históricos da MS-436, mas entregar uma estrada mais segura e funcional para todos que dependem dela.
Para o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara de Carvalho, a obra é estratégica para o desenvolvimento da região. “A restauração desta ligação entre os municípios oferece mais segurança para os motoristas, economia para os cofres públicos com a redução de manutenções e reforça a estrutura do pavimento para o crescimento econômico que a região norte vem atravessando”, afirmou.
Atenção redobrada durante as obras
Com a restauração em andamento, quem trafega pela MS-436 precisa manter a atenção máxima. Há vários trechos operando no sistema “siga e pare”, com movimentação constante de operários e máquinas. A recomendação é clara: respeitar a sinalização e reduzir a velocidade para evitar acidentes enquanto os serviços seguem em ritmo intenso.
Expectativa de um novo capítulo
Com a reconstrução completa em execução, o governo de Mato Grosso do Sul pretende encerrar essa fase de problemas estruturais e, finalmente, entregar uma rodovia mais resistente e segura. A expectativa é também reduzir gastos com manutenção emergencial e facilitar o escoamento da produção agropecuária da região norte do Estado.








