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Campo Grande, 28 de setembro de 2026

Estudo aponta subtipo de obesidade que responde melhor à tirzepatida

  • 11 de agosto, 2026
  • Saúde
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“Intestino faminto”: Pesquisa da Mayo Clinic identifica perfil com menor produção de hormônios da saciedade e perda de peso quase duas vezes maior com o medicamento, mas autores pedem mais estudos para confirmar achado .

A pesquisa sugere que diferenças na biologia do intestino podem ajudar a explicar por que algumas pessoas emagrecem mais do que outras com medicamentos contra a obesidade que atuam sobre os hormônios envolvidos no controle do apetite.

A obesidade é uma doença tão complexa que, na prática, seria possível falar em “obesidades”, no plural. Isso porque não existe um único mecanismo por trás do ganho de peso. Entre os subtipos está o “intestino faminto”, em que o organismo produz menos hormônios que ajudam a regular a saciedade. O resultado pode ser uma sensação de fome que volta pouco tempo depois de uma refeição.

E esse subtipo pode responder especialmente bem à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, que reproduz a ação de dois hormônios envolvidos no controle do apetite e da glicemia, o GIP e o GLP-1. É o que sugere um estudo da Mayo Clinic publicado na revista científica Gastroenterology.

A pesquisa sugere que diferenças na biologia do intestino podem ajudar a explicar por que algumas pessoas emagrecem mais do que outras com medicamentos contra a obesidade que atuam sobre os hormônios envolvidos no controle do apetite.

“A obesidade é uma doença complexa, impulsionada por diferentes mecanismos biológicos”, afirma Andres Acosta, gastroenterologista, pesquisador em obesidade da Mayo Clinic e autor sênior do estudo, em comunicado à imprensa. “Nossos achados sugerem que podemos começar a identificar quais pacientes têm maior probabilidade de responder a terapias específicas, em vez de tratar a obesidade como uma única doença.”

A vida pós-Mounjaro: o que você precisa saber quando o tratamento acaba

O que diz o estudo
Os pesquisadores avaliaram 483 adultos com obesidade e identificaram três perfis biológicos distintos. Em 130 deles, cerca de 27% da amostra, o estômago esvaziava mais rapidamente depois das refeições e os níveis de GLP-1 no sangue eram menores do que o esperado.

Esses participantes também apresentavam concentrações mais baixas de outros hormônios relacionados à saciedade, como PYY e colecistoquinina, além de relatarem mais fome após comer. É esse conjunto de características que os pesquisadores associam ao fenótipo do “intestino faminto”.

A relação com a tirzepatida apareceu em uma análise separada. Entre os 61 participantes que tinham dados sobre o tratamento com o medicamento, aqueles com o perfil de “intestino faminto” perderam, média, 21,5% do peso corporal após seis meses, contra 11,7% entre os demais. A diferença foi de quase dez pontos percentuais.

É importante destacar que os 483 participantes não receberam necessariamente tirzepatida, já que a comparação da perda de peso foi feita apenas entre os 61 indivíduos para os quais havia dados de tratamento.

A tirzepatida atua justamente sobre dois dos sinais envolvidos nesse sistema. O medicamento reproduz a ação do GIP e do GLP-1, hormônios que participam da regulação da glicemia, da fome e da saciedade.

Os resultados levantam a hipótese de que pessoas que produzem naturalmente quantidades menores desses hormônios possam responder de maneira particularmente favorável a esse tipo de tratamento. Mas o estudo não permite afirmar, por si só, que o “intestino faminto” seja um marcador capaz de prever a resposta à tirzepatida.

Por que algumas pessoas respondem melhor à tirzepatida?
A investigação também procurou entender por que esses pacientes apresentavam níveis tão baixos de hormônios da saciedade. Em uma análise complementar, os pesquisadores examinaram amostras da mucosa do cólon e encontraram menor expressão dos genes relacionados à produção de GLP-1 e PYY. O achado sugere que a alteração pode estar ligada à própria capacidade do intestino de produzir esses hormônios.

A microbiota, por outro lado, não pareceu explicar a diferença. Os participantes com níveis reduzidos de GLP-1 tinham concentrações maiores de ácidos graxos de cadeia curta no sangue, mas os pesquisadores não encontraram diferenças significativas na composição das bactérias presentes nas fezes.

Os resultados ajudam a lançar luz sobre uma das questões mais importantes no tratamento atual da obesidade: por que a resposta aos medicamentos varia tanto de uma pessoa para outra. A explicação pode estar, ao menos em parte, nas diferenças biológicas que existem antes mesmo do início do do tratamento.

A ideia, porém, ainda está longe de se transformar em uma ferramenta disponível nos consultórios. A análise da resposta à tirzepatida foi retrospectiva e envolveu apenas 61 participantes, e os próprios pesquisadores ressaltam que são necessários estudos adicionais para confirmar a associação.

Se os resultados forem reproduzidos em pesquisas maiores e prospectivas, poderão contribuir para uma mudança na forma de tratar a obesidade. Em vez de considerar apenas a média de resposta a determinado medicamento, médicos poderão, no futuro, levar em conta o mecanismo biológico predominante em cada paciente para escolher a estratégia terapêutica mais adequada.

Com informações do Portal Veja

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