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Campo Grande, 01 de outubro de 2026

Com dinheiro do povo prefeita “ressuscita” contrato viciado

  • 24 de novembro, 2025
  • Economia, Geral, Habitação
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Site denunciou despejo de R$ 17,6 milhões em contrato que veio do ciclo Bernal-Olarte.

ONG de Auro Silva (de gravata) beneficiada em contrato assinado nas gestões de Bernal, Olarte e Adriane (Foto: Redes Sociais).

Uma figura já bem conhecida localmente, com presença frequente nos atalhos da política, Auro da Silva teve seu nome citado em mais um episódio de tráfico de influência denunciado pelo site Top Mídia. O caso, que gerou grande repercussão, envolve a prefeita Adriane Lopes (PP) e é relacionado ao uso de verbas públicas do orçamento campo-grandense.

De acordo com o que foi noticiado, e até agora sem contestação, a prefeita fez um contrato de R$ 17 milhões 600 mil com a Conssol, uma ONG (Organização Não-Governamental), para realizar obras de moradias populares. Nada de suspeito haveria na contratação se Auro da Silva, o diretor da ONG, não fosse familiar direto (pai) e por afinidade (sogro) de um casal acusado de desviar verbas públicas.

No caso, Alana Valéria da Silva, a filha, e Rodrigo da Silva Lopes, o genro, foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) de desviar R$ 2,7 milhões destinados à construção de 300 casas populares no Bairro Vespasiano Martins. A denúncia desaguou na 2ª Vara Criminal de Campo Grande por lavagem de dinheiro, peculato e falsificação de documentos.

Carimbo oficial

O contrato agora foi carimbado pelo Diário Oficial (Diogrande) de quarta-feira passada (dia 19). É justificado como “execução integrada de ações habitacionais sociais, (…) sendo a elaboração e execução de Trabalho Técnico Social-TTS em empreendimentos do Programa Minha Casa, Minha Vida, ações continuadas e eventos comunitários, apoio aos Programas Minha Casa Legal, Campo Grande Sustentável e Credihabita, execução de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) e organização de edições do Feirão Habita Campo Grande e Programa Sonho de Morar, conforme especificações do Programa Sonho Seguro”. 

O site informa ainda que o contrato do casal, que é ligado à ONG Morhar, veio da gestão de Alcides Bernal e Gilmar Olarte (202013-16), com o compromisso de qualificar e realocar ex-moradores de favelas. E quando ocorreu a investigação do MPE, constatou-se que haviam sido entregues somente 42 unidades. Rodrigo e Alana teriam abandonado a obra, executada em parte com material de baixa qualidade.

Dinheiro do contribuinte

Antes que se faça qualquer argumentação em defesa de famílias sem-teto ou até mesmo dos gestores, é fundamental chamar à responsabilidade os seus responsáveis. O Poder Legislativo detém a atribuição de fiscalizar todos os atos do Executivo e a utilização do sagrado dinheiro que a população tira de suas economias para pagar impostos e os altos salários da prefeita, da vice-prefeita, dos secretários e vereadores.

Neste caso, se o contrato celebrado há mais de 10 anos na gestão desastrosa da dupla Bernal-Olarte já estava manchado por vícios dos mais grosseiros, é de se questionar qual razão fez a prefeita Adriane Lopes ressuscitá-lo para completar os repasses de uma transação no mínimo sob suspeita. O dinheiro do contribuinte não pode continuar a servir de oxigênio para quem lucra com os desmandos da falta de gestão.

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