Dividir é o mesmo que diminuir
Na leitura bíblica, a palavra diáspora é empregada significando a dispersão dos judeus para fora de Israel, após o exílio na Babilônia e a destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos. Dispersar é dividir. E estas expressões podem ser aplicadas nos tempos modernos, geralmente lançando todo seu peso sobre ideias e movimentos desagregadores e de quebra de unidade, esteja ela em construção ou consolidada.
O Brasil vive um momento de dilemas entre unidade e diáspora na política. Sem necessidade de mergulhar no mérito jurídico da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, até para evitar que a polêmica neste quadro radicalmente polarizado contamine a análise, não é tão difícil analisar e até prever possíveis impactos internos nas forças envolvidas.
A 10 meses das eleições de 2026, os polos ideológicos estão em um confronto antecipado. E ambos necessitam de soluções preventivas contra diásporas internas, porque as curativas muitas vezes ou chegam atrasadas ou são inócuas. De um lado, os governistas repensam o quadro de aliados com ou sem o centrão. De outro, os oposicionistas buscando um elemento concreto de unidade para ir às urnas.
Este tipo de desafio só será respondido à altura se for enfrentado por lideranças cujas atitudes e decisões busquem soluções inteligentes e estratégicas, que tenham capacidade para fazer leituras conjunturais ou específicas de cada momento, além de, obviamente, colocarem os seus passos num caminho de espírito público, sacrifícios, renúncias pessoais. A inteligência e a estratégia são transversais, interdependentes. Sem uma, a outra inexiste.
Para exemplificar, no caso de Mato Grosso do Sul a diáspora é uma ameaça real à unidade das forças conservadoras, nas quais se aloja o Bolsonarismo. Há pelo menos oito partidos neste nicho. Poderiam formar um exército. Mas só há exército quando seus contingentes marcham em perfeito sincronismo e uns sempre pelos outros combatem os inimigos comuns.
No momento, este combate é feito na base do “cada um por si” e sem as condições fundamentais do olhar estratégico e inteligente. Queiram ou não os conservadores, os recentes acontecimentos nacionais caíram de presente no colo dos governistas, fortalecendo-os. Em contrapartida, está visível o desconforto que a desagregação plantada pela sanha pessoal de alguns setores causa no intestino deste grande ajuntamento de lideranças e eleitores, contudo pressionado pelo desafio da unidade.
As pesquisas vêm demonstrando, repetidas vezes, que em Mato Grosso do Sul a chapa majoritária de apoio à reeleição de Eduardo Riedel precisa estar unificada nome a nome, com as candidaturas ao Governo, à vice-governadoria e ao Senado envolvidas num único e poderoso abraço de coesão. A pulverização de forças tem aparência democrática, sim. No entanto, democracia não é aparência. É inteligência.
Quem tiver coragem e humildade para entender esta lição, que faça a sua parte.






