Ex-presidente inicia cumprimento de pena de 8 anos e 10 meses após decisão do STF.

Na madrugada desta sexta-feira, 25 de abril de 2025, o ex-presidente Fernando Collor de Mello foi preso em Maceió, Alagoas, por volta das 4h, enquanto se preparava para embarcar para Brasília. A detenção foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou os recursos da defesa contra a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.
Segundo a defesa, Collor se apresentaria voluntariamente para cumprir a sentença. Ele encontra-se atualmente custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Maceió, aguardando definição do STF sobre o local definitivo para cumprimento da pena.
Trajetória política de Fernando Collor
Fernando Afonso Collor de Mello nasceu no Rio de Janeiro, em 1949, mas construiu a sua carreira política em Alagoas. Nos anos 80, foi prefeito de Maceió, deputado federal e governador do estado. Em 1989, tornou-se o primeiro presidente eleito por voto direto após o regime militar, ganhando notoriedade como o “caçador de marajás”, com um discurso de combate a privilégios e corrupção no setor público.
Seu governo ficou marcado pelo polêmico Plano Collor, que confiscou parte das poupanças dos brasileiros para conter a hiperinflação. Envolvido em escândalos de corrupção, denunciados inclusive por seu irmão, enfrentou uma CPI e um processo de impeachment. Renunciou ao cargo em 1992, momentos antes da cassação pelo Senado.
Após anos afastado, Collor voltou à vida pública como senador por Alagoas em 2006, cargo que exerceu até 2022.
O caso que levou à condenação
Collor foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2015 por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de Justiça. No entanto, algumas acusações foram posteriormente descartadas ou consideradas prescritas pelo STF.
A condenação final, proferida em 2023, baseou-se na comprovação de que o ex-presidente recebeu R$ 20 milhões em propinas entre 2010 e 2014, enquanto era senador. O dinheiro teria vindo da UTC Engenharia, como forma de garantir contratos irregulares com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A investigação revelou que Collor atuava para favorecer interesses empresariais em troca de vantagens financeiras, envolvendo também empresários ligados ao esquema.
Com esta decisão, Collor torna-se o terceiro ex-presidente brasileiro a ser preso após a redemocratização, sucedendo Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. A decisão de Moraes está a ser analisada nesta sexta-feira pelo plenário virtual do STF, que pode confirmar ou modificar a ordem de prisão.
Collor foi o terceiro ex-presidente preso desde a redemocratização do Brasil.
Michel Temer foi o segundo, em investigação relacionada às obras da usina nuclear de Angra 3. O primeiro foi Luiz Inácio Lula da Silva, preso em 7 de abril de 2018 por corrupção e lavagem de dinheiro.
Plenário Virtual do STF decide hoje se mantém decisão da prisão
O plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá, nesta sexta-feira (25/4), se mantém a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão imediata do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O também ex-senador foi condenado a 8 anos e 10 meses de prisão, em desdobramento da Operação Lava Jato.
Todos os ministros poderão votar para decidir se referendam – ou não – a decisão de Moraes, dentro da ação penal que tramita na Corte. O julgamento virtual está marcado para começar às 11h e seguirá até 23h59. A decisão de Moraes de executar a ordem de prisão, emitida na noite dessa quinta-feira (24/4), ocorreu após ele rejeitar recursos apresentados pela defesa de Collor.








