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Campo Grande, 09 de outubro de 2026

CPI do Transporte Coletivo põe mandatos municipais à prova

  • Geraldo Silva
  • 15 de abril, 2025
  • Geral, Trânsito, Transporte
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Vereadores e a prefeita tem a oportunidade para demonstrar que podem resolver problema crônico da cidade.

Câmara Municipal: 29 mandatos no desafio de uma CPI.

Instalada para levantar as causas e definir as soluções ao problema, a CPI do Transporte Coletivo é um desafio político dos mais impositivos aos mandatos municipais, tanto dos vereadores (as) como da prefeita Adriane Lopes (PP). Para a população campograndense, a Comissão Parlamentar de Inquérito precisa demonstrar concretamente que não é um belo enfeite de mandatos e que pode contribuir com o fim do sofrimento diário das milhares de pessoas que dependem deste serviço essencial.

Inicialmente, a CPI já comete um perigoso escorregão que ameaça sua utilidade. Ela só foi aceita pela maioria dos vereadores porque coloca na sua alça de mira somente o Consórcio Guaicurus, como se este fosse o único responsável pelo serviço, e poupa a prefeita. Dos 29 parlamentares, apenas 11, a minoria, assinaram o requerimento. Foi um sinal no mínimo ameaçador para quem quer a solução do problema. A prefeita, contudo, tem responsabilidades claríssimas na questão.

Até na rua asfaltada condição de tráfego é sofrível.

Chamar a razão
Caso queiram fazer desta CPI um mecanismo político sintonizado verdadeiramente com o interesse público, os vereadores podem chamar à razão as duas partes responsáveis pelo sistema: a prefeita, que representa o poder concedente, e as empresas do consórcio, as concessionárias. À prefeitura cabe, entre outras coisas, cuidar melhor das ruas, os chamados corredores de ônibus, pavimentando-as e fazendo a manutenção regular. O estado delas é sofrível, semelhante a um queijo suíço: buraqueira, lama, poeira em todos os bairros.

A CPI pode cobrar com autoridade o Executivo para que obrigue as empresas a cumprirem os compromissos que assumiu para ficar com a concessão. Neste capítulo estão outros retratos do caos. Não há pontos de embarque suficientes. Dos que existem, muitos não têm cobertura e até já houve sérios acidentes com gente esperando o ônibus e ser atingida pela cobertura. E mais: veículos sem ar condicionado e antigos – a frota não é renovada adequadamente -. sem equipamentos de acessibilidade, além da elevada tarifa, completam o triste cenário.

Veículos sem ar condicionado: desconforto e aperto. (Foto: Nathalia Alcântara)

Reprovação
Os vereadores e a prefeita têm diante de si um quadro nada agradável sobre a relação que começam a ter com usuários revoltados. O instituto Ranking Brasil apurou em marçõ que 80% da população consideram ruim ou péssimo o transporte público em Campo Grande, ao passo que só 5% aprovam.

Quando indagados sobre o que precisa melhorar no transporte em Campo Grande, 18% dos entrevistados se reportaram não às falhas do sistema, mas às promessas que a prefeita não cumpriu. Entre elas estão a troca da frota, com 14% de indicações; mais ônibus nas linhas, com 11%; reforma de terminais (8%) e mais pontos cobertos e limpos de embarque e desembarque (8,20%).

Apenas 5% dos entrevistados acreditam que a prefeita solucionará os problemas, 2% têm dúvida e 8% não souberam responder. A CPI tem o apoio de 82% dos usuários, mas eles são céticos quanto à possibilidade de solucão: 75% não acreditam que isso irá acontece, 10% têm dúvida e 6% disseram que os problemas serão solucionados. A pesquisa foi feita com 1.000 usuários entre os dias 18 e 24 de março de 2025.

 Foto capa – Ruas de chão: falta de manutenção precariza serviço

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