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Campo Grande, 21 de agosto de 2026

TJMS manda soltar médico investigado pela morte da esposa em Campo Grande

  • 21 de agosto, 2026
  • Feminicídio, Violência Contra a Mulher
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O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, estava preso preventivamente desde 14 de agosto. A defesa nega envolvimento e afirma que vai contestar laudos que afastaram a hipótese de suicídio.

João Jazbik Neto, de 78 anos, investigado pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos estava preso preventivamente desde o dia 14 de agosto, por decisão da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou, nesta quinta-feira (20/08), a soltura do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, investigado pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos.

O médico estava preso preventivamente desde o dia 14 de agosto, por decisão da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, e deixou a prisão após a análise de um habeas corpus.

A informação foi confirmada pelo advogado José Belga Assis Trad, que reafirmou a inocência do cliente. Segundo a defesa, João colaborou com as investigações e cumpria as medidas cautelares determinadas anteriormente pela Justiça.

“Ele é inocente. A vítima se despediu em carta registrada num diário em que havia outras mensagens dela expressando ideação suicida. Os laudos serão contestados em juízo pela defesa”, afirmou o advogado.

Até a publicação das informações consultadas, não haviam sido divulgados todos os fundamentos utilizados pelo TJMS para determinar a soltura, nem eventuais novas medidas cautelares impostas ao cardiologista.

Feminicídio ou suicídio: A morte de Fabíola Marcotti, de 51 anos tem agora versão dos laudos e do acusado.

Investigação apontou feminicídio
Fabíola Marcotti foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de maio, na chácara onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande (MS). João foi quem acionou o socorro e informou inicialmente que a esposa teria cometido suicídio.

Conforme o relato registrado na ocorrência, o médico disse que Fabíola havia realizado atividades rotineiras pela manhã e, depois, subido para o quarto do casal. Como ela demorou a retornar, João afirmou que foi até o andar superior, bateu na porta e não obteve resposta.

Ainda segundo a versão apresentada à polícia, ele teria descido até a cozinha e tentado telefonar para a mulher. Pouco depois, ouviu um disparo e voltou ao quarto, onde encontrou Fabíola caída no chão. O médico então teria chamado um ex-caseiro e os funcionários que estavam na propriedade. O grupo acionou o número 190.

A morte passou a ser investigada pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Durante o trabalho policial, foram identificadas divergências entre os relatos apresentados no local e os vestígios analisados pela perícia.

A Polícia Civil também apontou que um armário com armas e munições teria sido retirado da residência principal e levado para outro imóvel dentro da propriedade depois da morte da fisioterapeuta. No mesmo dia do óbito, João foi preso por posse irregular de arma de fogo e suspeita de fraude processual.

O cardiologista João Jazbik Neto no dia da morte de Fabíola com as equipes de policiais e peritos na Chácara onde morava.

Médico já havia sido preso
Após a primeira prisão, João permaneceu detido por alguns dias. Em 22 de maio, a Justiça concedeu liberdade ao cardiologista mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a prisão domiciliar.

Em julho, o TJMS confirmou, por unanimidade, a liberdade do médico. Na ocasião, a decisão analisou os crimes relacionados à posse irregular de armas e à suspeita de fraude processual, mas não representou uma conclusão sobre a responsabilidade dele pela morte de Fabíola.

A nova prisão, decretada em 14 de agosto, foi determinada no inquérito que apurava diretamente a morte da fisioterapeuta. A defesa classificou a medida como “descabida” e argumentou que ainda não havia denúncia formal apresentada contra o cardiologista.

Laudos afastaram hipótese de suicídio
A investigação ganhou novo rumo após a análise do laudo necroscópico. O documento afastou a possibilidade de que o disparo tivesse sido feito com a arma encostada ou muito próxima da cabeça de Fabíola. O exame também descreveu hematomas em diferentes partes do corpo da fisioterapeuta.

Na segunda-feira (17), a Polícia Civil informou que havia concluído o inquérito. De acordo com a 1ª Deam, os laudos produzidos pelo Instituto de Criminalística e pelo Instituto de Medicina Legal afastaram a hipótese de suicídio inicialmente considerada e indicaram que Fabíola teria sido morta em um contexto de violência doméstica e familiar. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público para análise.

No dia seguinte, o juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, explicou que a prisão preventiva foi baseada em elementos reunidos durante a investigação pericial.

Segundo o magistrado, os exames indicaram que Fabíola teria sofrido agressões antes do disparo. A análise apontou que ela teria recebido inicialmente um golpe com instrumento contundente na lateral direita da cabeça e caído. Depois, já no chão, teria sido atingida por outro golpe, desta vez na lateral esquerda.

A perícia também analisou manchas de sangue, a trajetória do projétil e a posição do corpo. A conclusão apresentada à Justiça foi de que a morte ocorreu em um cenário compatível com violência contra a vítima.

Defesa contesta provas
A defesa sustenta que Fabíola apresentava sinais de ideação suicida e que teria deixado uma carta de despedida registrada em um diário. O advogado José Belga Trad afirma que os laudos serão questionados judicialmente e que a versão apresentada pela investigação será contestada durante o processo.

A família da fisioterapeuta, por outro lado, rejeita a hipótese de suicídio. Em nota, os parentes afirmaram que não aceitam uma explicação considerada “pronta” para a morte e defenderam que o caso seja apurado com rigor técnico, sem pressa ou omissões.

Com a soltura, João Jazbik Neto responderá à investigação em liberdade, salvo se novas decisões judiciais determinarem o contrário.

O Ministério Público deverá analisar o inquérito policial e decidir se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou promove o arquivamento do procedimento.

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