“Absolutamente acertada”, declarou a ministra sobre decisão
A decisão da Petrobras de suspender a venda da fábrica de fertilizantes UFN-III, em Três Lagoas (MS), foi “absolutamente acertada”, segundo Simone Tebet, atualmente ministra do Planejamento e Orçamento.
Ex-prefeita da cidade e responsável por ceder o terreno onde a Petrobras construiu a unidade, Simone Tebet se envolveu diretamente nas negociações para impedir que a empresa russa Acron adquirisse a UFN-III.
A Ministra do Planejamento Simone Tebet Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
“Fui eu quem fiz a denúncia de que a licitação havia previsto apenas que a empresa que vencesse o certame pudesse utilizar a fábrica como mera misturadora, o que significa que ela não precisaria produzir fertilizantes, não geraria os empregos diretos e indiretos que são tão necessários para a cidade e para o nosso Estado”, afirmou a ministra, que finaliza seu mandato de senadora pelo MDB pelo Mato Grosso do Sul.
De acordo com Simone Tebet, a unidade da Petrobras em Três Lagos deveria suprir a produção nacional de fertilizantes, “reduzindo a nossa dependência de importados e aumentando os empregos no país”.
Agora, o processo é outro, diz a ministra. “A Petrobras pode, a partir de agora, terminar ela mesmo essa fábrica para então tocar a produção de fertilizantes ou então colocar à venda quando a unidade enfim estiver concluída”, afirmou.
Simone Tebet elogiou o novo presidente da Petrobras, o ex-senador Jean Paul Prates (PT-RN). “Foi meu colega senador e é extremamente competente”, disse ela, ressaltando que Prates “tem consciência da importância dessa fábrica”. Quando concluída, a unidade UFN-III terá a capacidade de dobrar a produção nacional de fertilizantes. A fábrica teve sua pedra fundamental em 2010, quando Simone Tebet era prefeita de Três Lagoas.
A Petrobras retomou ontem (31) por meio de oportunidade de negócio (teaser) a venda da Unidade de Fertlizantes Nitrogenados III em Três Lagoas (UFN3). Para a operação a estatal contratou o Banco Bradesco como assessor financeiro exclusivo para realizar a transação envolvendo a venda de 100% da fábrica. A operação faz parte do plano de desinvestimento da estatal.
O teaser, que contém as principais informações sobre a oportunidade – inclusive a previsão de que o comprador se comprometa com a conclusão da planta – bem como os critérios de elegibilidade para a seleção de potenciais participantes, está disponível no site de relação com investidores da companhia.
Os termos do processo de venda seguem as reivindicações feitas pelo governador do Estado Reinaldo Azambuja
Para participar do processo, um potencial comprador deve atender a pelo menos um dos critérios: patrimônio líquido superior a US$ 300 milhões; receita líquida igual ou superior à US$ 750 milhões ou caso seja player financeiro, possuir ativos sob gestão (AuM) superior a US$ 300 milhões.
Garantias
A reabertura do processo é consequência do cancelamento da negociação entre a Petrobras e a empresa russa Acron. Agora, a previsão é que a negociação possa ser fechada ainda neste ano para que as obras sejam retomadas em 2024.
Os termos do processo de venda seguem as reivindicações feitas pelo governador do Estado Reinaldo Azambuja em viagem no início de maio ao Rio de Janeiro em reunião com a diretoria da estatal.
Na reunião, ainda estavam presentes o titular da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck e a deputada federal e ex-ministra da Pecuária e Agricultura, Tereza Cristina Corrêa.
No encontro com a diretoria da estatal, a comitiva sul-mato-grossense sugeriu que o edital de venda da fábrica determinasse que o comprador utilize o Gás Natural Liquefeito (GNL) da Petrobras como matéria prima para a produção dos fertilizantes nitrogenados.
“É importante resolver essa equação do gás. Por isso fizemos essa proposta da opção da compra do combustível”, ressaltou Jaime Verruck.
Outro ponto acatado no processo de venda pela Petrobras foi o cronograma para que isso se resolvesse dentro de 2022 para que no próximo ano pudessem ser retomadas as obras da fábrica.
Segundo o governador, várias empresas estão interessadas na compra da unidade e que algumas já entraram em contato com governo do Estado para obter informações sobre os incentivos fiscais concedidos para a indústria.
Regras
A capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 t/dia e 2.200 t/dia, respectivamente.
A capacidade de produção de ureia representaria aproximadamente 20% do consumo aparente de ureia brasileiro em 2020.
O compromisso de conclusão da UFN-III pelo Potencial Comprador é obrigatório e não negociável. A Petrobras oferecerá um contrato de fornecimento de gás natural à UFN-III no âmbito da transação. O Potencial Comprador terá a opção de firmar esse contrato com a Petrobras ou buscar outra solução.
Histórico
A construção da UFN3 em Três Lagoas teve início em 2011 e a obra foi paralisada em dezembro de 2014 com 81% de conclusão, após a Petrobras romper o contrato com o consórcio responsável pela obra. A estatal colocou a UFN3 à venda em setembro de 2017, alegando que não tinha mais interesse em seguir no segmento de fertilizantes.
Neste ano, uma empresa russa manifestou interesse na compra da fábrica. Negociações foram iniciadas, mas não concluídas porque o plano de negócios proposto pelo potencial comprador queria rebaixar a fábrica para uma indústria misturadora de fertilizantes, que não teve aprovação do governo do Estado.