Sistema passa por mudança estrutural e modelo não acompanha a velocidade costus, diz gestor da Cassems.

Em contundentes considerações sobre a conjuntura e os desafios dos sistemas de saúde, o médico e presidente da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems), Ricardo Ayache, afirmou que este é um momento de complexas dificuldades, sobretudo porque o setor passa por uma transição crítica de paradigma.
Com a autoridade de quem há 16 anos dirige um dos mais bem sucedidos planos de saúde no Brasil, ele afirma ser essencial avaliar e planejar bem a busca de soluções para cada desafio.
“Estamos assistindo a uma sequência de colapsos. Os números já deixaram de ser um alerta, passaram a ser um diagnóstico”, assinala. “O modelo atual não acompanha o aumento de custos dos novos tratamentos e se mostra insustentável a longo prazo”, completa.
Casos típicos afligem grandes operadoras, entre as quais a Geap Saúde (Grupo Executivo de Assistência Patronal) e a Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a maior operadora de autogestão em saúde do Brasil, fundada em 1944).
A maioria delas passou então a acumular resultados negativos. A Hapvida (fundada em 1979, a maior operadora de planos de saúde e odontológicos da América Latina, com foco em atendimento acessível e rede própria) perdeu dezenas de bilhões em valores de mercado, em meio a dificuldades operacionais. “É importante deixar claro que isto não é má gestão. O modelo que sustentou a saúde por décadas não acompanha mais a velocidade dos custos”, reitera.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/x/w/2hKINrSwygb4mu0K1aLA/imagem-1.jpg)
Custeio crescendo
Para reforçar, Ayache aponta outra realidade. A população está envelhecendo, os custos com o TEA (Transtorno do Espectro Autista) cresceram acima das previsões, as órteses, próteses e materiais especiais pressionam cada vez mais o sistema.
Novas terapias, como em Oncologia (tratamento do câncer) e na Reumatologia trouxeram avanços, mas com custos muito elevados. “E há um fator ainda mais silencioso: a inflação da saúde cresceu muito acima da renda das pessoas. Traduzindo, de forma simples: a conta não está mais fechando”, sentencia. “O que estamos vendo hoje não é exceção, é tendência. Acreditar que qualquer sistema esteja imune a esta realidade é ignorar o que está acontecendo. Insistir no mesmo modelo esperando resultado diferente não é prudente”, adverte.
“A inflação da saúde cresceu muito acima da renda das pessoas. Traduzindo: a conta não está mais fechando”.
Para o gestor da Cassems, o momento exige três coisas: clareza, para reconhecer que o cenário mudou; coragem, nas medidas difíceis; e responsabilidade, para garantir que o sistema continue existindo. “No fim, a discussão não é de números, mas é sobre sustentabilidade, sobre acesso e sobre não deixar as pessoas desassistidas quando elas mais precisam.
“O setor de saúde passa por uma mudança estrutural. Superar esse gargalo financeiro requer uma gestão estratégica orientada por dados e previsibilidade”, recomenda Ayache. E finaliza: “A vitalidade do sistema depende da capacidade de equilibrar a viabilidade econômica e priorizar o mais importante: a segurança de que cada beneficiário seja assistido quando precisar”.






