Em Campo Grande (MS) o MPMS apura atrasos bilionários em pagamentos de medicamentos e insumos. A prefeitura ainda não se pronunciou sobre o caso, mas insiste que o setor tem que ser terceirizado para funcionar.
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A saúde pública de Campo Grande virou um verdadeiro caos por conta da inépcia administrativa. O município acumula uma dívida de R$ 197,6 milhões com fornecedores de medicamentos, insumos e materiais hospitalares, e algumas empresas estão há mais de 500 dias sem receber pelos serviços prestados, segundo investigação aberta pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
A falta de gestores capacitados levou a administração municipal a recorrer à terceirização da saúde como justificativa. Agora, já se fala também em terceirizar a educação.
Não seria surpresa se, daqui a pouco, a prefeita Adriane Lopes (PP) entrasse com solicitação de terceirização do SISEP, em decorrência da incompetência para tampar buracos na Capital e limpar os bueiros.

Dívida bilionária e risco ao abastecimento de remédios
De acordo com o MPMS, a situação preocupa porque pode comprometer o abastecimento de remédios e materiais usados nas unidades de saúde e hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). A falta de pagamento pode estar diretamente ligada à escassez de medicamentos e insumos registrada em unidades da rede pública de saúde.
Em alguns momentos, a prefeitura atribuiu os problemas a atrasos na entrega por parte dos fornecedores, mas a investigação quer esclarecer se a principal causa seria justamente a dívida acumulada.
Números da investigação
Dados obtidos pelo Ministério Público no Sistema Integrado de Planejamento, Finanças, Contabilidade e Controle (Sicont) mostram que, entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, a saúde municipal acumulou R$ 285,8 milhões em restos a pagar — nome dado a despesas que ficaram pendentes de anos anteriores.
Deste total:
-R$ 88,2 milhões foram quitados
-R$ 197,6 milhões continuam em aberto.
Além do valor milionário acumulado ao longo dos anos, o MPMS identificou mais de R$ 5 milhões em débitos apenas com empresas responsáveis pelo fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares em 2026.

MPMS convoca secretaria de saúde e questiona crédito suplementar de R$ 27 milhões
Diante da situação, o MPMS solicitou uma série de informações à Prefeitura de Campo Grande, incluindo:
-Lista de fornecedores com pagamentos atrasados há mais de 30, 60 e 90 dias
-Justificativas para os débitos
-Previsão de quitação.
O Ministério Público também quer esclarecimentos sobre a abertura de um crédito suplementar de R$ 27 milhões destinado ao Fundo Municipal de Saúde em abril de 2026. A Promotoria questiona a origem do recurso e como o dinheiro será utilizado.
O secretário municipal de Finanças foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a situação orçamentária da saúde e as medidas adotadas para enfrentar o passivo financeiro.
A investigação é conduzida pela 76ª Promotoria de Justiça, que decidiu acompanhar de perto a situação financeira do Fundo Municipal de Saúde durante todo o ano de 2026.
Ainda não há resposta da prefeitura
Até o momento, não houve retorno da Prefeitura de Campo Grande sobre o assunto. A investigação segue em andamento e novas medidas podem ser tomadas pelo Ministério Público conforme o avanço da apuração.






