Vereadores que atentem para o “basta” que vem do povo
Da saúde à educação, passando pelo transporte coletivo, até às condições urbanas fragilizadas que qualquer chuva arrebenta, Campo Grande enfrenta a pior administração de sua história. Hoje, quem votou para reeleger Adriane Lopes (PP) já confessa, menos de um ano após ir às urnas, que se arrependeu amargamente. E este arrependimento começa a sair de dentro das casas e das rodas da vizinhança para ganhar as ruas, praças e ambientes de trabalho e convivência.
Embora a caótica gestão se arraste desde a posse da prefeita, que ocorreu em abril de 2022, só agora no primeiro ano do segundo mandato é possível constatar, vendo com clareza, que ela é desprovida de mínimo conhecimento sobre o que significa governar um município. E que não é pequeno: a capital de Mato Grosso do Sul já está chegando a um milhão de habitantes. Chega piorando, sem estruturas elementares para suportar as demandas acumuladas.
As fortes chuvas que vêm caindo sobre Campo Grande causam impactos cuja dimensão é muito maior e mais destrutiva, porque a cidade está gravemente vulnerável. Sua fragilidade diante da chuvarada é retrato de uma tempestade muito pior, a de incompetência de uma gestão que já consumiu três anos e meio de mandato sem dizer a que veio.
E isto só vem acontecendo nesse nível de “quanto pior, pior” porque faltam presenças fundamentais que, em última análise, seriam providenciais para minimizar os abalos causados por tanta inépcia. Estas presenças são os órgãos de controle e de fiscalização, que tem como principais expoentes o Ministério Público e a Câmara Municipal.
O MP tem feito a sua parte, mesmo sem obter os resultados que exigem celeridade ou efetividade nas respostas positivas às intervenções de sua alçada. A questão complicadora é mesmo a Câmara. Com seus 29 vereadores, o Legislativo é obrigado a fiscalizar os atos do Executivo. Isto significa: fiscalizar o que a prefeitura faz e o que não faz. Ao menos até aqui, com ampla maioria ‘Adrianista’, a Câmara assiste a tudo como de camarote.
Talvez quando aquele prédio da Avenida Ricardo Brandão sentir o peso e o baque da voz tonitruante que vem das ruas o verbo fiscalizar seja conjugado. Caso contrário, o povo que abraça e faz continuar saberá também dizer: basta!








