Diferença de menos de 40 mil votos separa Keiko Fujimori e Roberto Sánchez; resultado depende de urnas restantes e votos do exterior.
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A apuração do segundo turno das eleições presidenciais no Peru segue indefinida e marcada por equilíbrio extremo entre os candidatos. Com 96,6% das urnas apuradas até a última atualização, o esquerdista Roberto Sánchez aparece com 50,109% dos votos, enquanto a conservadora Keiko Fujimori soma 49,891% — uma diferença de cerca de 38,9 mil votos.
Keiko mantém expectativa de virada
Mesmo atrás na contagem, Keiko Fujimori afirmou nesta terça-feira (9) que ainda acredita na vitória. Segundo a candidata, o resultado pode ser influenciado pelos votos do exterior e por urnas ainda não contabilizadas na capital Lima, onde ela tem maior apoio.
A candidata também evitou antecipar qualquer desfecho e defendeu cautela diante da margem apertada. Keiko disse que aguardará o resultado oficial do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), destacando que o cenário é de “empate técnico”.
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Virada ocorreu durante apuração
A liderança mudou ao longo da contagem. Na tarde de segunda-feira (8), às 14h58 (horário de Brasília), Roberto Sánchez ultrapassou Fujimori, após horas em que a candidata aparecia à frente.
A virada já era considerada possível por analistas, já que Sánchez tem maior força nas regiões rurais, cujos votos são tradicionalmente contabilizados por último.
Primeiro turno e cenário eleitoral
No primeiro turno, Keiko Fujimori liderou com 17,2% dos votos válidos, enquanto Sánchez ficou com 12%, em uma eleição que contou com número recorde de 35 candidatos.
O segundo turno foi realizado no domingo (7), sem grandes incidentes — ao contrário da primeira etapa, que registrou problemas técnicos e denúncias de irregularidades.
Crise política e instabilidade institucional
O cenário eleitoral reflete uma crise política prolongada no país. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, evidenciando a instabilidade institucional.
Para o cientista político Lucas Berti, o quadro é resultado de uma deslegitimação crescente das instituições. Segundo ele, a facilidade para destituir presidentes, prevista na Constituição por meio do argumento de “incapacidade moral ou física permanente”, fragiliza o sistema democrático.
Pesquisas indicam que cerca de 90% da população tem pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, enquanto apenas 10% se dizem satisfeitos com a democracia.
Mudanças no sistema político
As eleições de 2026 também marcam a retomada do sistema bicameral no Peru, com a volta do Senado, extinto em 1992 após o autogolpe do então presidente Alberto Fujimori.
Com a nova estrutura, a destituição de um presidente passará a exigir aprovação nas duas Casas legislativas, o que pode reduzir a instabilidade política no país.
Com informações da Globo News








