Usuários do SUS derrubam candidaturas da prefeita e impedem continuísmo de gestão calamitosa.

Com 16 titulares e respectivos suplentes, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Campo Grande registrou mais um estrago no poder e na influência setorial da prefeita Adriane Lopes (PP).
Na eleição para definir os cargos diretivos do colegiado, realizada no dia 30 de abril passado, a prefeita sentiu sua majestática pose de reeleita sofrer mais um arranhão: sua candidata perdeu a disputa pela coordenação, cargo mais importante do conselho.
Frustração
Adriane e a titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Rosana Leite, arquitetaram o cenário pensando em manter na coordenação da Mesa Diretora a conselheira Cleonice Alves de Albres. Ela representa os usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), mas sofria críticas pela atuação apagada e era acusada de conivência com os erros e desmandos administrativos que associam a prefeita à situação caótica da rede de atendimento.
Uma cobrança incisiva do Ministério Público Estadual (MPE) sobre a omissão do CMS na bagunçada situação da saúde pública tornou ainda mais inviável a reeleição de Cleonice.
Com o seu plano inicial frustrado, a prefeita tentou outra alternativa “chapa branca” com o conselheiro Neiton Stradiotto. E novamente foi derrotada.
Os conselheiros elegeram coordenador da Mesa Diretora um representante dos trabalhadores da Saúde, Jader Vasconcelos, indicado pelo Sioms (Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul).
Além de Jader Vasconcelos, a coordenadora-adjunta eleita é Maria Auxiliadora Ribeiro Villalba Fortunato, do segmento dos usuários do SUS e representante da Associação de Mulheres com Deficiência de Mato Grosso do Sul (AMDEFMS).
Assim, com os usuários indicando representantes que atuem com autonomia e responsabilidade, o Conselho arranca as mordaças impostas pelo poder político e administrativa de uma prefeita que faz da saúde pública campograndense uma referência negativa em todo território nacional.
O MPE e a sociedade, de maneira geral, não têm dúvida alguma: a má gestão é a causa da verdadeira tragédia em que se tornou o atendimento aos pacientes da rede pública de saúde. É quase impossível entender como é que a situação chegou a esse extremo, até porque a prefeita teve à sua disposição um orçamento superior aos R$ 6 bilhões em 2024 e este ano passa de R$ 6,8 bilhões. Se não é incompetência, é má fé.






