Delegado e investigadores são presos em operação que apura desvio de drogas em Campo Grande. Gaeco cumpre 27 mandados de prisão na Capital contra grupo suspeito de desviar entorpecentes apreendidos; diligências alcançam delegacias, casas de investigados e condomínio na região do Shopping Campo Grande

O delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Souza foi preso na manhã desta quinta-feira (24/09), durante operação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em Campo Grande. A ofensiva mira um suposto esquema de desvio de drogas que já haviam sido apreendidas em ações policiais.
Segundo as informações preliminares, a operação cumpre 27 mandados de prisão e tem entre os alvos o delegado, ao menos sete investigadores da Polícia Civil, um ex-investigador e um policial militar. Os mandados são cumpridos em delegacias e imóveis ligados aos investigados na Capital.
Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul e as demais instituições envolvidas ainda não haviam divulgado a quantidade de prisões efetivamente realizadas, os nomes de todos os alvos, o volume de drogas que teria sido desviado e o período abrangido pela investigação.
Suspeita é de drogas desviadas de apreensões
A investigação apura a participação dos alvos no suposto desvio de entorpecentes apreendidos pelas forças de segurança. A suspeita é de que parte da droga sob custódia oficial teria sido retirada irregularmente e voltado a circular no mercado criminoso.
Informações iniciais indicam que os policiais civis investigados tiveram passagem pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), embora atualmente estejam lotados em outras unidades da Polícia Civil.
Por se tratar de uma investigação em andamento, ainda não foram detalhados publicamente quais cargas ou apreensões de drogas estariam relacionadas ao esquema, nem a função atribuída a cada investigado. As prisões são medidas cautelares e os alvos têm direito à defesa durante o inquérito e eventual processo criminal.
Mandados alcançam delegacias
As equipes realizaram diligências em diferentes unidades da Polícia Civil de Campo Grande. Há policiais do Gaeco em ação na Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos).
A operação também alcança servidores atualmente lotados na DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) e na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), conforme as informações apuradas durante o cumprimento das ordens judiciais.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil participa da mobilização, assim como efetivos da Polícia Militar e da Polícia Penal. A presença da Corregedoria é relevante porque a apuração envolve agentes vinculados às forças de segurança pública.

Casa de delegado é alvo de buscas
Um dos mandados de busca é cumprido na residência do delegado Hoffman D’Ávila, no Bairro Carandá Bosque. No imóvel, equipes fazem varredura para localizar e apreender telefones celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam auxiliar na investigação.
Também houve mobilização em outros endereços residenciais. Equipe do Batalhão de Choque da Polícia Militar foi vista prestando apoio ao Gaeco no Condomínio Jatobá, em frente ao Shopping Campo Grande.
As buscas buscam reunir elementos que permitam aos investigadores esclarecer a possível dinâmica do desvio de drogas, identificar eventuais intermediários e apontar se havia participação de pessoas fora das instituições policiais.
Carreira do delegado Hoffman
Hoffman D’Ávila Cândido e Souza é delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Em 2015, atuava como plantonista na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) da Vila Piratininga, em Campo Grande.
A partir de 2019, passou pela Denar e, posteriormente, assumiu a titularidade da especializada. Durante o período, esteve à frente de investigações, operações contra organizações criminosas e apreensões de grandes carregamentos de drogas.
Em fevereiro de 2026, Hoffman deixou a Denar para assumir o comando do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). Ele permaneceu 113 dias à frente da unidade e, em junho, foi removido para a 6ª Delegacia de Polícia Civil, na região das Moreninhas.
Operação segue em andamento
A ação mobiliza Gaeco, Corregedoria, Polícia Civil, Polícia Militar, Batalhão de Choque e Polícia Penal. Ainda não há confirmação oficial sobre a denominação da operação, a quantidade de mandados de busca e apreensão expedidos, nem sobre o destino dos presos após as diligências.
A operação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta quinta-feira (24) cumpriu 64 ordens judiciais em Campo Grande, Dourados e Terenos: 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão.
Durante a ação, nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal foram presos. Entre os investigados estão delegado, investigadores, um ex-investigador e policiais militares. As apurações começaram em outubro de 2025, após elementos reunidos nas Operações Traquetos e Blindspot apontarem a existência de um grupo suspeito de desviar principalmente cocaína apreendida em ocorrências policiais.
Segundo o Gaeco, o esquema ocorria tanto pela omissão de parte da droga recolhida nos registros oficiais quanto pela retirada de entorpecentes armazenados em depósitos de delegacias. O material desviado, ainda conforme a investigação, era entregue a traficantes ligados à organização para ser novamente distribuído no mercado ilegal.








