Trio atuava em diferentes estados e usava disfarce de profissionais do ramo para enganar vítimas e planejar crimes.

O grupo envolvido na tentativa de furto a uma joalheria dentro de um shopping de Campo Grande se passava por profissionais do setor de joias para ter acesso aos estabelecimentos e praticar os crimes. Três suspeitos, com idades de 20, 23 e 26 anos, foram presos pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro) entre domingo (19/10) e terça-feira (21/10).
Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (21/10), o delegado Reginaldo Salomão, titular do Garras, explicou que o grupo agia com um modus operandi bem estruturado e revelou que outros integrantes ainda estão sendo investigados.
“Dois deles se apresentavam como profissionais do mercado de joias, simulavam interesse em negócios e faziam uma varredura do ambiente, observando câmeras e sistemas de segurança”, explicou Salomão.
A polícia acredita que o mesmo grupo tenha tentado furtar a mesma joalheria no ano passado, utilizando a mesma estratégia.

Fuga e prisão dos suspeitos
O jovem de 20 anos, Claudyo Henryque Aquino Matos, foi preso após tentar fugir pelo sistema de tubulação do shopping, onde permaneceu por cerca de oito horas. Segundo a polícia, ele havia consumido grande quantidade de drogas durante a viagem de Goiás a Mato Grosso do Sul.
Durante as diligências, o Batalhão de Choque da PM localizou os demais suspeitos em diferentes pontos da cidade. Um deles foi encontrado em uma lanchonete, enquanto o terceiro foi abordado após chegar de carro por aplicativo — ele ainda tentou destruir o celular ao perceber a presença policial.
Com o trio, os policiais apreenderam equipamentos usados para clonagem e abertura de portas, além de peças de joias.
Organização criminosa interestadual
Os criminosos chegaram a Campo Grande na sexta-feira (16/10), desembarcando na rodoviária da cidade. O grupo chamou atenção de uma equipe do BPChoque (Batalhão de Choque da Polícia Militar) devido ao forte cheiro de maconha, já que haviam consumido grande quantidade da droga durante a viagem. A abordagem resultou na prisão de Claudyo, o que permitiu ao Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro) cruzar informações e identificar os outros dois suspeitos.
Durante as investigações, a polícia descobriu que os criminosos alugaram uma casa no Bairro Vida Nova, onde permaneceram por algumas horas. O proprietário do imóvel, que é policial militar, desconfiou da movimentação e registrou imagens dos três rapazes, colaborando com a identificação.
As equipes seguiram em buscas por vários hotéis da região até localizar um dos suspeitos em um bar no Bairro Morumbi, consumindo bebida alcoólica. Pouco depois, o segundo chegou em um carro de aplicativo e tentou fugir ao ver os policiais, chegando a quebrar o celular no momento da abordagem.
Em depoimento, os dois presos optaram por ficar em silêncio, mas antes um deles, de 23 anos, afirmou ser filho de policial, enquanto o outro, de 26 anos, disse que tinha dinheiro para contratar um bom advogado. O trio, oriundo de Goiás, é suspeito de ter invadido a mesma joalheria em 2024, utilizando o mesmo método.
Os criminosos possuem histórico de quatro furtos e tentativas no Rio de Janeiro e dois roubos em Sergipe. Claudyo, que estava em regime aberto, chegou a falsificar um boletim de ocorrência para poder embarcar em um ônibus rumo a Mato Grosso do Sul, já que tinha restrição judicial para deixar Goiás.
Com o grupo, foram apreendidas joias — cuja procedência e autenticidade ainda estão sob análise — e equipamentos eletrônicos usados para clonagem e abertura de portas, além de um dispositivo “chapolin”, que bloqueia o sinal de travas eletrônicas. O Voyage prata usado como carro de apoio na tentativa de furto ainda não foi localizado.
De acordo com o delegado Reginaldo Salomão, o trio já havia viajado a Campo Grande em outras ocasiões para mapear joalherias e sistemas de segurança. Claudyo era o responsável por desativar o alarme, mas, por falta de experiência, precisou de orientações por videochamada e acabou falhando, o que fez o dispositivo disparar e alertar os seguranças.
O grupo se passava por profissionais do ramo de joias para ganhar a confiança de lojistas e obter informações estratégicas antes de agir. Segundo o delegado, a organização criminosa é interestadual, com ramificações em outros estados.
“Eles se apresentavam como especialistas em joias, analisavam o ambiente e as câmeras de segurança antes de agir. Já haviam tentado o mesmo golpe em outras cidades e usavam identidades falsas para se esconder”, destacou Salomão.
A Polícia Civil continua investigando a participação do grupo em outros furtos em Mato Grosso do Sul e em diferentes regiões do país.
“Eles se conheceram durante essas ações criminosas em outros estados e seguiam atuando em conjunto”, finalizou o delegado Reginaldo Salomão.






