Fraude digital envolvia perfis falsos, extorsões e participação de internos de presídios; prejuízos somam milhões e vítimas em Campo Grande pagaram altos valores.
Uma quadrilha sediada no Rio Grande do Sul foi desarticulada pela Polícia Civil gaúcha em conjunto com autoridades de Santa Catarina, em operações que revelaram um esquema sofisticado do chamado golpe dos nudes, com repercussões em diversos estados, inclusive Mato Grosso do Sul.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da DERF (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos), em conjunto com o DERCC (Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Informáticos) e a DPRCPE (Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos) do Rio Grande do Sul, identificou o líder de um grupo criminoso investigado por aplicar o “golpe dos nudes”. O suspeito é Eric Basso da Silva, também conhecido como Chapolin.

Seu último endereço conhecido é na cidade de Bento Gonçalves (RS). Eric Basso da Silva possui antecedentes criminais por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas e já esteve preso em presídios gaúchos, junto com outros suspeitos da organização.
A prisão preventiva de Eric Basso foi decretada pela Justiça de Mato Grosso do Sul, com base nas investigações da DERF. Ele também teve contas bancárias e valores bloqueados por ordem judicial e é considerado foragido.
Além de ser suspeito de orquestrar a prática do golpe, recebendo valores exigidos e determinado contas bancárias para remessa dos valores, ele teria contratado e pago um detetive particular para monitorar uma vítima e seus familiares, remetendo fotos da rotina deles à vítima a fim de mantê-la em grave ameaça.
Como funcionava o esquema
Os criminosos criavam perfis falsos nas redes sociais, apresentando-se como jovens mulheres, muitas vezes entre 16 e 25 anos. O objetivo era atrair homens de alta renda, de meia-idade ou idosos, considerados “bem-sucedidos”.
Após estabelecer contato e trocar mensagens, as vítimas eram levadas a enviar fotos íntimas, acreditando que interagiam com uma pessoa real.
Em seguida, os golpistas entravam em cena com uma nova persona — familiar da suposta jovem ou autoridade policial — alegando que a vítima havia cometido crime ao se corresponder com menor de idade ou causado danos emocionais, requerendo pagamento de valores para evitar a divulgação das imagens ou abertura de processo criminal.
Investigação e prisões
A Operação Cantina, iniciada há cerca de 11 meses, prendeu 33 suspeitos e identificou mais de 80 vítimas em ao menos 12 estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul.
Foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, 30 mandados de prisão temporária, 33 de busca e apreensão e 25 bloqueios de contas bancárias vinculadas aos suspeitos.
A operação mobilizou cerca de 150 policiais civis de RS e SC, com apoio aéreo no Rio Grande do Sul, e resultou em apreensões de veículos, armas de fogo, munições, celulares, dinheiro em espécie, entre outros bens.
Vítimas e prejuízo
Em Campo Grande/MS, foram registradas vítimas que pagaram valores altos para evitar exposição ou processo, mediante ameaça de divulgação de imagens íntimas.
Um dos casos documentados envolveu um médico de 52 anos, que pagou R$ 28 mil após ser contatado por golpistas que o acusavam falsamente de envolvimento com menor de idade.
Estimativas das autoridades sugerem que o esquema possa ter movimentado valores expressivos, embora não haja consenso público de que o total seja superior a R$ 5 milhões em todos os casos. A quantia de prejuízo varia conforme a vítima e o alerta dado pelos investigadores.
Envolvimento prisional e ramificações
Parte dos suspeitos estavam presas ou cumprindo pena no sistema prisional do Rio Grande do Sul. Internos participavam do esquema, seja diretamente ou como agentes auxiliares (por exemplo, fornecendo dados, contas bancárias ou atuando como “laranjas”).
Há indícios de que o golpe estava relacionado à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e drogas, porte ilegal de munição, e corrupção de menores.
Medidas após as prisões
As autoridades conseguiram bloqueios judiciais de contas bancárias e Pix utilizadas no esquema.
As investigações continuam, inclusive para identificar todas as vítimas, apurar todas as ramificações do grupo, bem como recuperar valores e responsabilizar todos os envolvidos.
Como as vítimas podem denunciar
Se você foi vítima desse golpe ou de esquema semelhante, seguem orientações:
-Registre Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil local (em MS é possível registrar presencialmente ou em delegacias virtuais conforme jurisdição).
-Guarde mensagens, áudios, prints de conversas, fotos, vídeos, screenshots e comprovantes de transferência bancária ou Pix que recebeu ou fez.
-Se recebeu ameaças ou contatos de supostas autoridades ou familiares relacionados ao golpe, informe todos os nomes ou números, mesmo que falsos.
A Polícia Civil de MS tem delegacias especializadas que atuam em crimes eletrônicos; acionar a DERF ou delegacias que investigam estelionato e extorsão pode agilizar o processo.
Também é possível procurar orientação do Ministério Público para acompanhar se haverá denúncia formal.






