Animal será avaliado por especialistas antes de possível reintegração a programa de conservação.

A onça-pintada capturada pela Polícia Militar Ambiental (PMA) chegou nesta quinta-feira (24/04) ao CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande, onde passará por exames detalhados e será acompanhada por veterinários e especialistas.
O felino, um macho com 94 quilos, foi localizado na mesma região do ataque que vitimou o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, encontrado morto na manhã de segunda-feira (21), nas proximidades do pesqueiro Touro Morto, entre os rios Miranda e Aquidauana, no Pantanal sul-mato-grossense.
“A situação exige respeito, especialmente pela vítima e sua família. Agora, o animal será mantido no CRAS, onde passará por exames clínicos, estabilização e recuperação. Depois, será encaminhado ao programa federal de fauna coordenado pelo ICMBio”, declarou Artur Falcette, secretário-executivo da Semadesc.

A operação de captura contou com o apoio do professor e pesquisador Gediendson Araújo, especialista em grandes felinos, do Reprocon (Reprodução para Conservação), além do suporte técnico do Imasul, da UFMS e do ICMBio. A onça foi capturada com uso de armadilhas, três dias após o ataque.
“É um caso raro, mas ligado à perda do instinto de medo do animal em relação ao ser humano. O comportamento foi alterado, o que pode ter levado ao trágico desfecho”, explicou Araújo.
Segundo o especialista, o felino apresentava baixo peso – quando deveria pesar cerca de 120 kg – o que motivou a realização de exames clínicos e laboratoriais para identificar possíveis doenças. O CRAS também fará exames de imagem para entender melhor o estado de saúde da onça.
Outro ponto de atenção é a suposta prática ilegal de alimentação forçada do animal com restos de carne, conhecida como “ceva”. “Essa prática é proibida por lei e pode ter contribuído para o comportamento anormal do felino”, alertou o tenente Alexandre Saraiva Gonçalves, da PMA de Porto Murtinho.
Falcette reforçou que o governo estadual está atento para coibir tentativas de caça ou retaliação ao animal. “Temos um histórico positivo de convivência entre produtores e fauna no Pantanal. Oportunistas e caçadores não serão tolerados. Caçar animais silvestres é crime ambiental e será tratado com rigor total”, afirmou.
Acompanhe a chegada da onça no Hospital Veterinário do CRAS.
Com informações da Comunicação Governo do Estado
Fotos: Saul Schramm/Secom








