Moeda americana fecha a R$ 5,71 com aversão a risco após críticas de Trump à China; juros futuros sobem após PIB frustrar expectativas.

O mercado financeiro brasileiro teve uma sexta-feira (30/05) de forte instabilidade. O dólar disparou e chegou a R$ 5,71, enquanto o Ibovespa recuou mais de 1% diante de uma combinação de fatores internos e externos que alimentaram a aversão ao risco entre investidores.
No cenário doméstico, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025 cresceu 1,4%, abaixo da mediana das projeções (1,5%).
Embora o número indique resiliência da atividade econômica, ficou aquém das expectativas, o que pressionou os juros futuros, refletindo dúvidas sobre o ritmo de crescimento do país.
Já no exterior, os mercados globais reagiram negativamente às declarações do ex-presidente dos EUA e pré-candidato Donald Trump, que acusou a China de “violar completamente” o acordo comercial firmado entre os dois países. A fala reacendeu temores de uma escalada nas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, empurrando investidores para ativos considerados mais seguros.
O dólar à vista avançou 1,22%, negociado a R$ 5,7353, enquanto o Ibovespa encerrou o dia em queda de 1,02%, aos 137.123 pontos.
Os juros futuros também subiram, refletindo as incertezas econômicas e fiscais no Brasil e o impacto da maior volatilidade global.
No radar do mercado também está a possível elevação do IOF, em discussão no Congresso, e a preocupação com a condução da política fiscal norte-americana, após o Bank of America alertar para o risco de uma nova bolha de ativos impulsionada por cortes de impostos.
A tensão entre China e EUA também afetou as bolsas internacionais. Em Nova York, os principais índices caíram: o S&P 500 recuou 0,37%, o Dow Jones perdeu 0,30% e o Nasdaq caiu 0,46%. Na Europa, o clima foi misto, com Londres e Frankfurt em alta e Paris em queda.
O cenário reflete um dia de forte aversão a risco nos mercados, marcado por dados mistos e incertezas políticas, fiscais e geopolíticas — uma combinação que tende a manter os investidores em compasso de espera.
Após as 13h (horário de Brasília) o dólar comercial já tinha subido 0,96% e estava cotado em R$5,721 e o euro subido 0,83% cotado em R$6,494 e a Bovespa em queda de 0,98% com 137.182,81 pontos.
Dólar
O dólar subiu quase 1% e terminou a semana vendido a R$ 5,718, com alta de R$ 0,052 (+0,91%). A moeda norte-americana está no maior valor desde 7 de maio. A divisa, que acumulava queda no mês até a quinta-feira (29), fechou maio com alta de 0,78% no mês. Em 2025, o dólar cai 7,45%.
Bolsa de valores
No mercado de ações, o dia também foi marcado pela instabilidade. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 137.027 pontos, com queda de 1,09%. Apesar do recuo nesta sexta, o indicador subiu 1,45% em maio, o terceiro mês consecutivo de alta.
Fatores domésticos também afetaram o mercado financeiro. No último dia útil de maio, a formação da Taxa Ptax, média da taxa de câmbio do dia, pressionou a cotação do dólar. A Ptax é usada para corrigir ativos e passivos do governo vinculados ao câmbio, como a dívida externa, a dívida interna atrelada ao dólar e as reservas internacionais.
No caso da bolsa de valores, a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos no país) cresceu 1,4% no primeiro trimestre afetou as ações. Isso porque a expansão maior que o previsto poderá fazer o Banco Central (BC) manter os juros altos por mais tempo, o que tira recursos da bolsa.






