Furto de R$ 60 mil da Associação Juliano Varela que atende crianças com deficiência expõe quadrilha envolvida em fraudes financeiras há mais de 20 anos.

Em uma operação conduzida pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), três pessoas foram presas no estado de São Paulo por envolvimento no furto de aproximadamente R$ 60 mil da Associação Juliano Varela, localizada em Campo Grande. O crime foi descoberto em abril de 2025, após a entidade identificar movimentações suspeitas em sua conta bancária.
O valor furtado havia sido destinado à entidade filantrópica sem fins lucrativos – que atende crianças e adolescentes com deficiência intelectual na Capital – por meio do Fundo Municipal de Saúde. Os criminosos utilizaram dispositivos eletrônicos e recursos de informática para acessar a conta bancária da associação.
Durante a operação “Juliano Varela”, foram expedidos 11 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária. Três dos alvos foram localizados e presos nas cidades de Botucatu, Diadema e São Paulo. Os demais investigados ainda não foram encontrados, mas seguem sendo monitorados.
A investigação revelou que os criminosos utilizavam dispositivos eletrônicos e recursos de informática para acessar ilegalmente contas bancárias. Durante dois meses de apuração, a polícia constatou que os líderes da quadrilha possuíam seis mansões no condomínio Ninho Verde II, em Pardinho, interior de São Paulo. Imóveis nesse condomínio são comercializados por valores que variam de R$ 500 mil a R$ 1,6 milhão, conforme anúncios em sites especializados.
Além das prisões realizadas nas cidades de Botucatu, Diadema e São Paulo, foram apreendidos celulares, computadores, notebooks e cartões de memória, equipamentos compatíveis com os utilizados na prática dos crimes investigados. As autoridades continuam as buscas pelos demais envolvidos, que seguem foragidos.
A Associação Juliano Varela, fundada em 1994, é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos que atende gratuitamente crianças, adolescentes e adultos com deficiências intelectuais, como Síndrome de Down, autismo e microcefalia. A instituição oferece serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social, sendo mantida por doações, convênios públicos e campanhas beneficentes.
O furto dos recursos destinados à associação impactou significativamente suas atividades, evidenciando a importância de medidas de segurança cibernética para proteger instituições que prestam serviços essenciais à comunidade.
O delegado ainda afirma que em Mato Grosso do Sul, apenas a Associação Juliano Varela foi alvo da quadrilha. Os suspeitos têm histórico de envolvimento em fraudes bancárias há mais de duas décadas. As apurações revelaram que, apenas nos últimos cinco anos, foram identificadas movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 30 milhões ligadas ao grupo.






