JBS lidera avanço das vendas sul-mato-grossenses ao mercado asiático, mas setor se prepara para impacto das restrições.

As exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para a China cresceram 57,45% nos quatro primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2024, mesmo diante das restrições comerciais impostas pelo governo chinês às compras de carne brasileira.
Os dados são do economista Daniel Massen Frainer, professor da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e doutor em Economia pela UFRGS, com base nas estatísticas do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
A JBS aparece como principal responsável pelo desempenho positivo do setor no estado, liderando o volume de vendas ao mercado asiático no período analisado. O resultado expressivo ocorre em um cenário de antecipação: exportadores teriam acelerado os embarques antes da entrada em vigor de novas tarifas impostas pela China sobre a carne bovina brasileira.

Segundo a avaliação do professor Frainer, a cota tarifária chinesa deve representar o principal desafio para o setor nos próximos meses. Quando as restrições passarem a valer integralmente, a tendência é de queda no ritmo das exportações, o que pode pressionar preços e volumes comercializados pelos frigoríficos instalados em Mato Grosso do Sul — um dos maiores produtores e exportadores de proteína animal do Brasil.
O estado possui posição estratégica no agronegócio nacional, com rebanho bovino entre os maiores do país e forte presença de plantas frigoríficas de grandes grupos como JBS e Marfrig. Qualquer variação significativa na demanda chinesa repercute diretamente na economia regional, afetando desde produtores rurais até trabalhadores do setor industrial.






