Secretaria analisa risco de retração e governo tenta negociar suspensão da sobretaxa com autoridades norte-americanas
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Com a entrada em vigor da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras prevista para o próximo dia 23 de julho, o Governo de Mato Grosso do Sul acendeu o sinal de alerta. Um levantamento técnico da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) aponta que a medida pode causar queda na competitividade dos produtos sul-mato-grossenses, sobretudo carne bovina, celulose e ferro-gusa — setores que têm o mercado norte-americano como um dos principais destinos.
A sobretaxa foi anunciada oficialmente em 9 de julho, por meio de carta enviada pelo presidente Donald Trump ao presidente Lula, e já é tratada como um dos maiores desafios comerciais dos últimos anos para o Estado.
Impacto direto na balança comercial
Segundo o levantamento da Semadesc, os EUA representam atualmente mais de 33% das exportações totais de Mato Grosso do Sul, sendo a carne bovina e seus derivados o principal produto da pauta, com US$ 225,6 milhões exportados em 2024. Em seguida vem a celulose, que gerou US$ 213,4 milhões em receitas no mesmo ano — com 341,6 mil toneladas enviadas ao mercado americano.
A economista Bruna Mendes Dias, da assessoria de Economia e Estatística da Semadesc, alerta que a carga tributária adicional de 50% pode inviabilizar as vendas e gerar uma retração nas exportações. “Embora ainda seja prematuro quantificar os impactos, é possível que haja queda nas vendas caso não ocorra uma reconfiguração dos acordos comerciais”, destacou.
Bruna lembra que setores como o de celulose já trabalham com planejamentos de longo prazo, dada a natureza do ciclo de produção, como o do eucalipto, que leva cerca de sete anos para maturar. Ainda assim, ressalta que a recomposição de mercados não é rápida e que a alta tributária traz riscos à sustentabilidade dos negócios locais.
Exportações aos EUA cresceram 175% em cinco anos
Entre 2020 e 2024, as exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos aumentaram 175%, saltando de US$ 243 milhões para US$ 669,5 milhões, segundo a Semadesc. Nesse período, foram embarcadas 785 mil toneladas de produtos aos EUA. O crescimento gerou um superávit comercial de US$ 520,6 milhões, com as importações norte-americanas girando em torno de US$ 148,8 milhões no ano passado.
Os principais produtos importados pelos sul-mato-grossenses dos EUA são fertilizantes químicos, no valor de US$ 53,7 milhões, e aeronaves e peças, que somaram US$ 45,4 milhões em 2024.

Ferro-gusa: dependência quase total dos EUA
Um dos setores mais sensíveis ao tarifaço é o de ferro-gusa e seus derivados (como ferro-esponja, spiegel e ferro-liga). Conforme a Semadesc, 90% da produção sul-mato-grossense desse segmento é destinada exclusivamente ao mercado americano. Uma interrupção ou queda brusca na exportação pode gerar desemprego, perda de receita e fechamento de unidades industriais no Estado.
Governo e Congresso tentam reverter sobretaxa
O Governo Federal, por meio do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, já pediu apoio técnico e diplomático dos dois países para evitar o agravamento da situação. Paralelamente, uma comissão do Senado liderada pelo Senador Nelsinho Trad e integrada também pela Senadora Tereza Cristina, entre outros parlamentares do país, está organizando uma missão parlamentar a Washington entre os dias 29 e 31 de julho, com o objetivo de abrir canais de negociação com congressistas americanos e evitar a adoção definitiva da medida.
“O que se espera, na atual conjuntura, é que haja espaço para negociação. A balança comercial entre MS e EUA é claramente superavitária para o Estado. Exportamos muito mais do que importamos. Seria mais sensato buscar cooperação técnica do que confronto econômico”, afirmou Bruna Mendes.
A Semadesc continua acompanhando o desdobramento da questão, mantendo diálogo com o setor produtivo e com o Ministério das Relações Exteriores. O objetivo é mitigar os efeitos econômicos da medida, que pode representar bilhões em prejuízos diretos e indiretos caso a tarifa se mantenha ativa por um longo período.






