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Campo Grande, 21 de setembro de 2026

Extensão do veto russo à exportação de diesel e os efeitos para o Brasil

  • 6 de agosto, 2026
  • Economia, Transporte
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Restrições russas reforçam a pressão e a preocupação sobre o mercado do diesel.

Para o Brasil, o efeito tende a ser uma redução da oferta de cargas russas no curto prazo e uma perda de competitividade desse produto. Com a guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais contra a Rússia, o diesel russo passou a ser vendido com desconto e ganhou espaço nas importações brasileiras.

Em 30 de julho, o governo russo anunciou uma nova restrição à exportação de diesel, gasolina e outros combustíveis, válida de 1 de agosto de 2026 a 31 de janeiro de 2027.

Os ataques contra refinarias russas pela Ucrânia, provocou desabastecimento. O governo russo determinou medidas de emergência, entre elas o veto à exportação dos derivados, inicialmente de 8 de julho até o fim do mês, agora estendido.

No caso do diesel, porém, não se trata de um bloqueio total durante todo o período, a partir de 1 de setembro, os produtores russos poderão exportar, enquanto intermediários e revendedores continuarão impedidos. A medida é para suprir de combustível o mercado interno russo.

Para o Brasil, o efeito tende a ser uma redução da oferta de cargas russas no curto prazo e uma perda de competitividade desse produto. Com a guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais contra a Rússia, o diesel russo passou a ser vendido com desconto e ganhou espaço nas importações brasileiras.

Do óleo diesel importado pelo Brasil no primeiro semestre de 2026, a Rússia respondeu por 64,4% do volume adquirido. No período, a cotação média do diesel importado da Rússia foi de US$0,89 por quilo (FOB), enquanto o importado dos Estados Unidos esteve em média em US$0,92 por quilo ou 4,1%, mais caro que o russo.

Volume das importações de gasóleo (óleo diesel) e participação da Rússia e dos Estados Unidos por mês em 2026 em mil toneladas. (Fonte: Comex | Elaboração: Scot Consultoria)

A limitação das vendas por intermediários pode reduzir a oferta, diminuir os descontos e obrigar compradores brasileiros a disputar cargas de outras origens, uma vez que muitas das vendas para o Brasil são feitas por intermediários e não produtores.

Isso não significa falta de diesel ou aumento de preço no Brasil. Como os produtores russos poderão retomar as vendas em setembro, o impacto dependerá da quantidade efetivamente exportada, dos preços oferecidos e da capacidade brasileira de substituir cargas russas por produto dos Estados Unidos e de outros fornecedores. Ainda assim, a medida adiciona pressão a um mercado que já está com pouca folga.

O preço do diesel subiu neste ano, inicialmente, por causa da alta do petróleo. Os conflitos no Oriente Médio provocaram interrupções efetivas na produção e no transporte pelo Estreito de Ormuz, reduzindo a oferta e elevando o preço do barril.  Para amortecer o impacto interno, foi estabelecido um subsídio de R$1,12 por litro do diesel.

Posteriormente, com a recuperação parcial dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, resultado do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã em 8 de abril e encerrado em 10 de julho, a oferta de petróleo aumentou e o preço do barril caiu.

Preço do petróleo Brent, em US$/barril, no ano de 2026. (Fonte: Investing | Elaboração: Scot Consultoria).

O diesel, no entanto, apesar da cotação ter caído, não foi na mesma proporção. Isso ocorreu porque a oferta do combustível refinado continuou limitada: refinarias exportadoras do Oriente Médio não haviam retomado plenamente as operações, enquanto o refino russo também permanecia afetado. Isso é relevante, pois o Brasil depende de cerca de 30,0% de diesel importado para abastecer o mercado interno.

Cotação média do diesel em São Paulo (R$/litro). (Fonte: Scot Consultoria).

Nesse contexto, a extensão do veto russo aumenta a pressão que já existia. A medida pode reduzir a disponibilidade de diesel com desconto, e dificultar uma queda consistente dos preços no mercado brasileiro.

O fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã havia feito o governo federal manter o subsídio que seria revisto em agosto. O cenário russo vigente deve manter a medida.

Com o primeiro veto da Rússia, em 8 de julho, os Estados Unidos devem abocanhar a maior parte do mercado, o que além dos problemas geopolíticos, deve sustentar as cotações do derivado, já que o combustível estadunidense é mais caro que o russo.

Com informações do Portal Scot Consultoria/Rodrigo De Mundo.

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