Culturas como as de amendoim e cítricos se juntam às plantas industriais, destaca Jaime Verruck.

O processo de industrialização em Mato Grosso do Sul, sobretudo com os grandes investimentos na atividade florestal e a consolidação do Vale da Celulose, abre uma nova e sólida perspectiva de diversificação das atividades econômicas, englobando a agroindústria, a pecuária e a agricultura.
Um exemplo concreto é a pequena Ribas do Rio Pardo, que com as florestas plantadas e a chegada da mega indústria de celulose da Suzano, se consolidou como um dos principais polos de desenvolvimento no Estado.
Situado no Vale da Celulose, o crescimento do município não teve sua economia limitada à indústria florestal.
A diversidade entrou em cena com tecnologias adequadas e fomentando novas culturas, que incluem as lavouras agrícolas, entre elas a citricultura e o amendoim.
Com mais de 460 mil hectares de florestas plantadas, Ribas do Rio Pardo lidera a expansão da silvicultura no Brasil e fortalece seu posto de referência em produção sustentável.

Transformação
A mudança no perfil econômico ocorre sem afetar o protagonismo da celulose, segundo frisou Jaime Verruck, titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), na palestra de abertura da ExpoRibas 2026, na última quarta-feira (18/03).
Disse que nos últimos anos o Estado passou por uma transformação produtiva significativa, com a conversão de áreas de pastagens de baixa produtividade em lavouras, florestas plantadas e cana-de-açúcar.
“O modelo alia crescimento econômico à preservação ambiental, mantendo 38% do território com vegetação nativa”, disse.
Sua convicção na diversidade é persuasiva. Em expansão, a citricultura tem mais de 15 mil hectares plantados e potencial para chegar aos 50 mil.
Atraídos por condições fitossanitárias favoráveis, clima ideal e apoio governamental, grandes grupos investem na conversão de pastagens em pomares, visando alta produtividade e produção de suco de laranja.

Aportes
A cultura tem aportes que alcançam R$ 2,4 bilhões. A Cutrale está investindo R$ 500 milhões em Sidrolândia. O Grupo Junqueira Rodas lançou projetos em Paranaíba e Naviraí e o Agro Terena em Bataguassu.
Mato Grosso do Sul registra ainda um ciclo de expansão do amendoim. Já é o segundo maior produtor do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com mais de 40 mil hectares plantados na safra 2024/2025.
Esta cultura ganha expressão como alternativa para recuperação de pastagens e renovação de canaviais, atraindo indústrias de processamento.
Verruck reitera que o setor florestal é um dos principais vetores desse desenvolvimento. A área de florestas plantadas saiu de 341 mil hectares em 2010 para aproximadamente 1,9 milhão de hectares na safra 2024/2025 – um crescimento de 565%, citou.
O Estado possui a segunda maior área de eucalipto do país e concentra cerca de 80% da expansão nacional registrada em 2024.
“É um ambiente favorável, fruto de políticas públicas voltadas à atração de investimentos, com desburocratização e segurança jurídica, iniciativas que fortalecem a sustentabilidade e a inovação”, considerou.
“No caso da indústria florestal, os resultados refletem um trabalho que começou há mais de 10 anos, com o programa Profloresta”, recordou.
Mato Grosso do Sul também se destaca na adoção de sistemas produtivos integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
Outro destaque é a autossuficiência energética do setor, com a produção de mais de 780 megawatts de energia limpa.
Verruck ressaltou que para garantir a gestão eficiente da atividade o governo investiu em ferramentas como o Sistema MS Agrodata, que moderniza o cadastro, o monitoramento e a regulação da produção florestal, além de fortalecer a política de reposição de recursos naturais.
As ações também estão alinhadas a estratégias de longo prazo, como o Plano Estadual de Desenvolvimento do Setor Florestal (Profloresta).






