Orçamento já prevê a alocação de R$ 50 milhões; companhia tenta dobrar o valor através de uma parceria com a Itaipu Binacional.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto, afirmou nesta terça-feira (22/9) que a estatal poderá ter até R$ 100 milhões para investimentos nas unidades armazenadoras de grãos do país em 2027.
O projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado ao Congresso Nacional no fim de agosto, já prevê a alocação de R$ 50 milhões para esses investimentos com recursos próprios da Conab. Agora, a companhia tenta dobrar o montante a partir da destinação de valores oriundos de uma parceria com a Itaipu Binacional, afirmou Porto, em coletiva de imprensa, em Brasília.
O objetivo é “ampliar a atuação” da rede de unidades armazenadoras para a formação de estoques de alimentos, disse o presidente. Atualmente, onde não há prédios próprios, a Conab cadastra armazéns e aluga estruturas, com o pagamento de tarifas pelo serviço, para armazenar os alimentos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a estatal não tem unidade e usa a rede de terceiros para estocar o arroz comprado dos agricultores locais, um dos principais itens da política de estoques.
Desde o início de 2023, o governo federal já comprou ou apoiou a comercialização de 1,660 milhão de toneladas de grãos. Há hoje em estoque 300 mil toneladas de arroz e houve aquisição ou apoio à comercialização de 860 mil toneladas de milho desde o início dessa gestão. O gerenciamento dos volumes é rotativo, ou seja, o cereal adquirido é vendido aos criadores de outras regiões.
De acordo com o presidente da Conab, as ações de recomposição de estoque públicos, apoio à comercialização e garantia de preços mínimos têm ajudado a manter os preços dos alimentos acessíveis à população.
“Há uma falácia de que alimentos estão mais caros, é só pegar dados, o que é concreto”, disse Porto. Segundo ele, os produtos estão em processo de deflação e, no acumulado dos últimos 12 meses, estão bem abaixo da inflação geral do país.
“Enquanto a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura) demonstra que estamos no maior pico de inflação mundial dos últimos três anos, o Brasil está exatamente em processo inverso, de deflação dos preços dos alimentos”, disse a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, na mesma coletiva de imprensa.
Ela ressaltou que o IPCA dos alimentos acumulado desde 2023 está em 13%, cerca de um quarto da inflação acumulada nos quatro anos do governo anterior, segundo a ministra
“Conseguimos fazer a contenção dos preços a partir de um conjunto de políticas públicas e ações, de política agrícola e de abastecimento alimentar”, pontuou ao citar medidas como a subvenção aos preços mínimos e a formação de estoques.
Com informações do Portal Globo Rural








