Alívio no tarifaço de Trump não impede queda da Bolsa, pressionada por temor de bolha de IA e dados mistos da economia americana.

O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (21/11), renovando mínima intradia de 0,91%, aos 153.974 pontos, distante dos 155 mil registrados na abertura. Apesar do alívio trazido pela suspensão das tarifas adicionais de 40% impostas pelos Estados Unidos a produtos agrícolas brasileiros, o sentimento predominante no mercado é de cautela, influenciado pelo clima negativo em Wall Street.
A decisão do governo Trump, anunciada na quinta-feira (20), perde força diante das preocupações globais com uma possível bolha em ações ligadas à Inteligência Artificial (IA). O resultado mais fraco das commodities reforça o pessimismo: o minério de ferro recua 0,32% e o petróleo Brent cai 0,84%.
Segundo o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, o pregão pós-feriado exige uma correção ao ambiente internacional mais adverso, o que pressiona tanto o índice quanto o câmbio.
Cenário externo: IA, payroll e Federal Reserve aumentam incertezas
Nos Estados Unidos, o mercado segue repercutindo o relatório de emprego (payroll), que apontou criação de vagas acima do esperado em setembro, mas acompanhada de aumento do desemprego — combinação que deixou dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O relatório elevou as apostas de um corte de juros na reunião de dezembro, com probabilidade passando de 39,1% para 70,9%, segundo o CME Group. A tensão aumentou após o balanço da Nvidia (NVDC34) provocar reavaliações sobre o setor de IA e de seu potencial de supervalorização.
O bitcoin, afetado pelo movimento de aversão ao risco, chegou à mínima de sete meses.
Na Europa, as bolsas também caem após a divulgação dos PMIs da zona do euro, Alemanha e Reino Unido. Os índices futuros de Nova York operam majoritariamente no campo negativo.
Dólar sobe e pressiona ativos locais
No câmbio, o dólar avança em relação às principais moedas e também frente ao real. Às 11h25, a moeda americana subia 1,12%, negociada a R$ 5,39.
Trump amplia isenções da tarifa de 40%
O presidente Donald Trump decidiu ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da tarifa agrícola de 40%, citando avanços nas negociações com o Brasil após conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 3 de outubro.
A medida tem efeito retroativo e beneficia itens como café e carne bovina, reforçando a sinalização de um acordo comercial mais amplo. Mercadorias retiradas de armazéns para consumo a partir das 12h01 de 13 de novembro já entram na nova regra.
Setores como a indústria de pescados, no entanto, ficaram de fora e demonstraram frustração.
Lula classificou o anúncio como uma “vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”, mas afirmou que ainda há espaço para avanços.
Outros fatores que influenciam o Ibovespa hoje
O sentimento negativo em NY restringe qualquer reação mais positiva da B3.
Investidores acompanham a tramitação no Senado da chamada “pauta-bomba”, que pode custar R$ 5,5 bilhões até 2030.
A queda das commodities limita setores como mineração e petróleo.
Agenda econômica do dia
A sexta-feira traz uma agenda movimentada no exterior, com diversos discursos de autoridades do Federal Reserve:
John Williams (Fed de Nova York)
Michael Barr (diretor do Fed)
Philip Jefferson (vice-presidente do Fed)
Neel Kashkari (Fed de Dallas)
O Banco da Inglaterra também participa de evento do Banco Central da Suíça.
Além disso, serão divulgados:
PMIs de novembro (composto, serviços e industrial)
Índice final de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan
Expectativas de inflação de 1 e 5 anos
Todos esses dados podem trazer volatilidade aos mercados globais e influenciar o desempenho do Ibovespa ao longo do dia.








