Hoffman D’Ávila compareceu à Corregedoria da Polícia Civil por volta das 17h desta quinta-feira e foi encaminhado ao Garras. A ação do Gaeco prendeu 12 agentes de segurança e apura repasse de drogas apreendidas a traficantes.

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, em Campo Grande, por volta das 17h desta quinta-feira (24), horas depois de não ser localizado em sua residência durante a Operação Infiltrados.
Alvo de um mandado de prisão preventiva, o delegado chegou à sede da Corregedoria acompanhado do advogado Amilton Ferreira de Almeida. Após os procedimentos, ele foi encaminhado ao Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), onde permanece preso à disposição da Justiça. A audiência de custódia está prevista para sábado (26/09).
Operação investiga desvio de drogas
Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Operação Infiltrados investiga a participação de agentes de segurança pública em um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.
A apuração aponta que a organização criminosa atuava principalmente com cocaína e utilizava o acesso de policiais civis, militares e penais a informações, ocorrências e depósitos de entorpecentes.
Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas. Em uma delas, parte da droga apreendida era omitida dos registros oficiais da ocorrência. Na outra, os entorpecentes eram retirados diretamente dos depósitos de delegacias.
Depois, a droga seria repassada a traficantes ligados ao grupo, que ficariam responsáveis por recolocá-la no mercado ilegal. As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas e desdobramentos das operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.
O nome Infiltrados faz referência, segundo o MPMS, à suspeita de que integrantes da organização criminosa tenham se infiltrado em órgãos de segurança pública e utilizado estruturas destinadas ao combate ao crime para praticar os delitos investigados.
Mandados foram cumpridos em três cidades
A operação mobilizou equipes para cumprir 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
No balanço divulgado ao longo da quinta-feira, foram confirmadas as prisões de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Entre os alvos também estão pessoas apontadas como ligadas aos investigados e ao esquema de distribuição das drogas.
A ação contou com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que servidores alcançados pela operação já eram monitorados pelas respectivas corregedorias por suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas e outros crimes. Segundo a pasta, três deles já haviam sido presos anteriormente e um havia sido exonerado recentemente.
Delegado não estava em casa
Hoffman era um dos alvos da operação, mas não foi localizado durante o cumprimento do mandado em sua residência, no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande.
As equipes chegaram ao imóvel por volta das 5h. No local, foram realizadas buscas e apreendidos um celular e um computador, conforme informações divulgadas durante o dia.
A ausência do delegado levou o Gaeco a procurar imagens de câmeras de segurança da região para verificar quando ele havia deixado a casa e se existia alguma movimentação considerada atípica antes da chegada dos investigadores.
Também passou a ser apurada a possibilidade de vazamento de informações sobre a operação. Até o momento, porém, não há confirmação de que Hoffman soubesse antecipadamente que seria alvo da ação.
Durante a manhã, o advogado Amilton Ferreira afirmou que o delegado não estava foragido e que não tinha conhecimento da operação. Segundo o defensor, a família entrou em contato com a defesa após perceber a movimentação das equipes na residência.
“Ele não está foragido também. Se ele tiver que cumprir alguma medida de prisão, ele vai se apresentar”, declarou o advogado.
Apresentação ocorreu à tarde
Hoffman compareceu espontaneamente à Corregedoria-Geral da Polícia Civil no período da tarde. Conforme apurado pelo g1, ele chegou por volta das 17h, acompanhado do advogado, e foi preso após a apresentação.
A defesa informou que ainda não havia tido acesso à íntegra dos autos da investigação. O advogado afirmou que pretende pedir a revogação da prisão nos próximos dias.
Depois dos procedimentos na Corregedoria, o delegado foi levado ao Garras, onde ficará custodiado até nova decisão judicial. A prisão é preventiva e, portanto, não representa condenação. As condutas específicas atribuídas a Hoffman no suposto esquema ainda não foram detalhadas publicamente pelo MPMS.
Trajetória no combate ao tráfico
Hoffman D’Ávila atuou em áreas ligadas ao combate à criminalidade organizada e ao tráfico de drogas. Antes de ser transferido para a 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, ele foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
O delegado também passou pelo Garras e atuou em delegacias de Costa Rica e Campo Grande. A suspeita investigada na Operação Infiltrados envolve justamente o possível uso das funções públicas e do acesso a estruturas policiais para desviar entorpecentes apreendidos.
A investigação continua sob sigilo, e as defesas dos presos afirmam que aguardam acesso aos autos para conhecer os elementos reunidos contra cada investigado.
Sejusp diz que desvios serão apurados
Em nota, a Sejusp afirmou que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas cometidas por integrantes das forças de segurança.
A secretaria declarou ainda que eventuais irregularidades serão apuradas com rigor, observando a legislação, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Operação Infiltrados segue em andamento, e o número de prisões pode aumentar conforme o cumprimento dos mandados judiciais.








