Desgoverno de Adriane demonstra que apesar da boca torta o hábito do cachimbo continua a todo vapor.

A economia de mercado ganha incentivos extras quando o público entra em cena para acasalar-se com o privado em enlaces que provocam suspeitas. É o mínimo que se pode inferir dos contratos firmados entre a Prefeitura de Campo Grande e a Construtora São José, para aquisição de materiais de construção e outros artigos não necessariamente empregados em obras do gênero.
O negócio poderia passar desapercebido e ficaria no arquivo das transações normais se não fosse processado num contexto estranho. Há detalhes instigantes. Um deles: a Construtora São José Engenharia é de Ponta Porã, cidade na fronteira com o Paraguai a 340 km da Capital.
Ainda que esteja prevista em lei, a compra é a sétima ou oitava fechada com desembolso da prefeitura campo-grandense para a mesma firma.
Tem mais: a localização e o controle dominial da empresa mudam de endereço e dono. Na indicação obtida junto aos registros comerciais, a São José deveria estar situada na Rua das Perobas, 769, Bairro Bosque de Ponta Porã.
Deveria, mas não está, e por um motivo ainda mais absurdo: o endereço mencionado é o de um terreno baldio, conforme checagem do portal “O Jacaré”, um dos veículos que publicaram o fato.
Esquisitices
Para não deixar dúvidas, a relação comercial entre poder público e iniciativa privada nesta operação de compra e venda tem esquisitices a acrescentar. Uma delas é que a empresa criada para vender materiais de construção vendeu também para a gestão de Adriane Lopes cobertores e colchões.
Talvez seja para as horas de descanso dos pedreiros quando os serviços atravessarem a temporada de inverno.
Se é legal ou imoral a dúvida só se esclarece com as manifestações de especialistas. Entretanto, está levantada a séria suspeita sobre ausência de valores éticos e republicanos, além da barbeiragem política e gerencial de uma gestora que tem dentro da sua jurisdição institucional, política e social centenas de empresas dos variados portes para fornecer material de construção – e até agasalhos e colchões que podem ser utilizados para o repouso dos peões ou no reforço das peças na Campanha do Agasalho.
De acordo com o portal “O Jacaré”, este foi o oitavo contrato que a São José Engenharia viabiliza com Adriane.
A prefeitura está comprando 300m³ de pedra marroada por R$ 27,4 mil, mais 300m³ de pedra brita por R$ 26,9 mil. O contrato é de R$ 54.360,00, cuja validade é de um ano, sendo o valor dividido entre 2026 e 2027. A São José chega a R$ 600 mil em contratos com a prefeitura.

Legalidade
A prefeita informou, por meio de sua assessoria, que a contratação “foi realizada dentro da legalidade, por meio de processo licitatório, com ampla concorrência e participação de diversas empresas”. Tudo bem. E se a São José Engenharia e Comércio apresentou toda a documentação exigida e foi devidamente habilitada nos aspectos técnico e jurídico, então significa que nenhuma empresa correlata da Capital tem todas as qualificações exigidas. no processo licitatório.
É realmente muito difícil participar de concorrência pública com sede empresarial em terreno baldio. A menos que os empreendedores tenham visão privilegiada para ir além do convencional e levar vantagem sobre a concorrência mercê de sua especialidade em “negócios baldios” com a prefeitura campo-grandense.








