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Campo Grande, 22 de setembro de 2026

Operação Perfume de Mulher apreende veículos e perfumes em imóveis em Campo Grande

  • 22 de setembro, 2026
  • Polícia
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Ação do Gaeco, MPF, MPMS e Receita Federal cumpre 16 mandados e investiga grupo suspeito de movimentar mais de R$ 300 milhões com importação clandestina.

(Foto: Ministério Público de MS/MP-MS).

Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPF (Ministério Público Federal), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e da Receita Federal cumpriram, na manhã desta terça-feira (22/09), mandados da Operação Perfume de Mulher em Campo Grande.

A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de importar clandestinamente perfumes, principalmente da linha árabe, e distribuí-los para diferentes estados brasileiros. Segundo os órgãos envolvidos, as contas relacionadas aos investigados movimentaram mais de R$ 300 milhões.

A Justiça Federal autorizou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, além de um mandado de prisão. Também foi determinada a apreensão de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos.

(Foto: Ministério Público de MS/MP-MS).

Malotes e veículos são retirados de mansão
Em Campo Grande, equipes chegaram por volta das 5h30 a uma mansão na Rua Antônio Maria Coelho, no Bairro Vivenda do Bosque. Após cerca de três horas de buscas, os agentes deixaram o imóvel com dois malotes, dois sacos grandes, uma caixa de arquivo e dois veículos.

Foram apreendidos um Toyota SW4 e um Fiat Fastback. Os trabalhos no local terminaram por volta das 8h20. Durante o cumprimento do mandado, os agentes utilizaram uma escada para acessar o imóvel.

Duas pessoas permaneceram ao lado dos policiais durante a saída, mas, conforme apurado, eram testemunhas que acompanham os procedimentos de busca e apreensão. O advogado Renan Braz esteve no local, mas não quis conceder entrevista.

Por volta das 7h30, uma diarista chegou para trabalhar na residência. Pouco depois, uma criança e uma mulher deixaram a mansão em um veículo de aplicativo. A presença delas, contudo, não foi relacionada pelas autoridades ao objeto da investigação.

(Foto: Ministério Público de MS/MP-MS).

Perfumes e celulares são apreendidos
Outro mandado foi cumprido em uma casa no Bairro Monte Castelo. No imóvel, as equipes encontraram e recolheram grande quantidade de perfumes, celulares e uma agenda.

O material foi levado para o MPF. O advogado Bruno Fernandes acompanhou a ação, mas também não quis falar com a imprensa.

Como funcionaria o esquema
Conforme as investigações, os perfumes entravam irregularmente no Brasil pela região de fronteira de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Inicialmente, os produtos eram armazenados em depósitos clandestinos em Campo Grande.

Depois, as mercadorias eram encaminhadas para centros de distribuição localizados em São Paulo e Pernambuco. A partir desses pontos, os produtos eram enviados a compradores de diferentes estados.

As vendas ocorriam principalmente por redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico. Influenciadores também teriam sido utilizados para divulgar os produtos e ampliar o alcance das vendas.

Em um dos sites relacionados ao grupo, os investigados se apresentavam como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e anunciavam diversas revendas no país.

Investigação começou após apreensões
As apurações começaram a partir de apreensões realizadas entre 2024 e 2026. Segundo o MPMS e a Receita Federal, mais de 20 apreensões foram relacionadas ao grupo durante esse período.

Em outubro de 2025, uma ação resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.

A partir da análise dos produtos, documentos e movimentações financeiras, os investigadores identificaram uma possível estrutura organizada de importação, armazenamento e distribuição.

Viaturas em frente a imóvel de alto padrão na Rua Antônio Maria Coelho. (Foto: Juliano Almeida).

Suspeita de notas falsas e lavagem de dinheiro
Os investigadores apuram se o grupo utilizava notas fiscais fraudulentas e declarações de conteúdo falsas para dar aparência de legalidade às operações comerciais.

Também há suspeitas de uso de empresas de fachada, interpostas pessoas — os chamados “laranjas” —, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

As autoridades identificaram ainda indícios de utilização de criptoativos em negociações com fornecedores no exterior. A análise das contas bancárias apontou movimentação superior a R$ 300 milhões.

Ação reúne 130 agentes
A operação mobilizou 50 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal, 50 integrantes do MPF e 30 servidores do MPMS.

Segundo os órgãos, esta é a primeira operação realizada em Mato Grosso do Sul com a participação simultânea do Gaeco do MPMS, do Gaeco do MPF e da Receita Federal. A ação investiga os crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais.

As investigações continuam. Com a análise do material apreendido, os órgãos responsáveis devem buscar identificar outros envolvidos, rastrear o patrimônio relacionado ao esquema e avaliar a extensão da distribuição dos perfumes no país.

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