Frente fria traz chuva forte, raios e ventos de até 80 km/h nesta terça (22/09), primeiro dia da estação, com mínimas podendo chegar a 11°C na quarta em regiões do Sul do Estado.

Chuva e ventania marcam início da primavera em Campo Grande
As primeiras horas desta terça-feira (22/09), que marca o início oficial da primavera no Hemisfério Sul, já começaram com chuva e risco de temporal em Campo Grande. Por volta das 3h03, a Capital registrou as primeiras pancadas do dia, acompanhadas de raios e ventania. A máxima prevista para hoje na cidade é de 25°C, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
O Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS) informa que uma frente fria avança por Mato Grosso do Sul, deixando o tempo mais instável em todo o Estado. A previsão aponta chuvas mais abrangentes e persistentes, com possibilidade de acumulados superiores a 40 milímetros em 24 horas. Algumas tempestades podem ser mais intensas, com chuva forte, raios, rajadas de vento acima de 70 km/h e eventual queda de granizo, provocando transtornos pontuais.
Seis frentes frias em 15 dias explicam chuvas atípicas de setembro
A passagem de seis frentes frias em apenas 15 dias ajuda a explicar o volume de chuva atípico registrado em setembro no Estado. Com o avanço do ar mais frio, ocorre o fenômeno da mínima invertida em todo MS: as temperaturas mais baixas serão registradas ao longo do dia, e não durante a madrugada.
No Cone-Sul, Leste e Grande Dourados — que abrangem municípios como Ponta Porã, Naviraí, Mundo Novo, Dourados, Nova Andradina e Três Lagoas — as mínimas devem ficar entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas variam de 23°C a 25°C.
Já nas regiões Pantaneira e Sudoeste, incluindo Corumbá, Aquidauana, Miranda, Porto Murtinho e Bonito, as temperaturas ficam entre 18°C e 20°C pela manhã e podem chegar a 26°C a 30°C.
Nas regiões Bolsão e Norte, com municípios como Paranaíba, Aparecida do Taboado, Chapadão do Sul, Coxim e Sonora, as mínimas variam de 21°C a 23°C, enquanto as máximas ficam entre 28°C e 33°C.
No sul de Mato Grosso do Sul, os termômetros podem marcar entre 14°C e 16°C. Os ventos atuam inicialmente do quadrante norte e giram para o quadrante sul, com velocidades entre 50 km/h e 70 km/h e, pontualmente, rajadas superiores a 80 km/h.
Primavera é período de maior frequência de tempestades severas em MS
A combinação do forte aquecimento durante o dia com o retorno gradual do ar quente e úmido da região amazônica favorece a formação de instabilidades. Conforme o Cemtec, a primavera está entre os períodos com maior frequência de tempestades severas em Mato Grosso do Sul. Os episódios podem provocar destelhamentos, quedas de árvores, alagamentos e enxurradas, além de danos à infraestrutura urbana e rural e prejuízos à agropecuária.
Apesar da volta das chuvas, o período não deve representar alívio constante do calor. O prognóstico do Cemtec aponta que, entre outubro e dezembro, Mato Grosso do Sul deve ter temperaturas elevadas, risco de ondas de calor e tendência de chuva acima da média histórica, principalmente na região Centro-Sul.
As precipitações, no entanto, poderão ocorrer de forma irregular, com intervalos de estiagem e diferenças entre os municípios. Mesmo em um trimestre mais chuvoso, a população poderá enfrentar dias abafados e períodos prolongados sem chuva.
El Niño pode ser o mais forte desde 1950 e elevar chuvas em MS
O prognóstico aponta o fenômeno El Niño como um fator capaz de intensificar condições favoráveis a eventos extremos. Com base nas projeções da NOAA/CPC (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional/Centro de Previsão Climática) emitidas em setembro, a probabilidade de ocorrência do El Niño entre outubro e dezembro é de 100%, com cerca de 98% de chance de intensidade classificada como “muito forte”.
Os percentuais se referem à ocorrência e à intensidade do fenômeno, e não à chance de tempestades em Mato Grosso do Sul. O Cemtec ressalta que os efeitos no Estado dependem da interação com outros sistemas meteorológicos regionais e locais.
Calor e chuva irregular
Os modelos analisados apresentam sinal consistente de temperaturas acima da média. Outubro costuma registrar algumas das maiores máximas do ano em diversos municípios, pela combinação entre forte incidência de radiação solar e chuvas ainda irregulares.
Isso não impede a ocorrência de dias mais amenos. A passagem de frentes frias e o aumento da nebulosidade e das chuvas poderão reduzir as temperaturas em determinados períodos.
Para as precipitações, a tendência de volumes acima da média é mais destacada no Centro-Sul. Como Mato Grosso do Sul está em uma zona de transição climática, a distribuição das chuvas pode variar bastante dentro do Estado.
Historicamente, os acumulados entre outubro e dezembro ficam entre 400 e 500 milímetros na maior parte do território. No Sul e no Nordeste, variam de 500 a 600 milímetros; no Noroeste, de 300 a 400 milímetros. Esses números são referências históricas, não os volumes previstos para este ano.
Risco de incêndios permanece mesmo com retorno das chuvas
Mesmo com a retomada das chuvas, o perigo de fogo permanece. A projeção para setembro, outubro e novembro coloca a maioria de Mato Grosso do Sul nas categorias “Atenção” e “Alerta”, conforme análise do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) apresentada no boletim.
A primeira corresponde a risco moderado e exige preparação para possíveis focos de calor. A segunda indica risco alto e demanda ações coordenadas de prevenção e mobilização de equipes.
O prognóstico climático aponta tendências para o trimestre, mas não permite definir quando nem onde haverá tempestades severas. Para acompanhar situações de risco, é necessário consultar as previsões de curto prazo e os avisos meteorológicos atualizados.







