Ataques de rebeldes do Iêmen contra a Arábia Saudita abriram nova frente no conflito e impulsionaram a commodity, elevando receio de choque inflacionário.Crise no STF: ministro Flávio Dino determina reintegração de diretor-geral da PF ao cargo.

As taxas do Tesouro Direto abrem em alta generalizada nesta quarta-feira (09/09), interrompendo a sequência de queda que vinha desde a semana passada. Os títulos atrelados à inflação lideram o movimento, num pregão em que o cenário externo se sobrepôs aos fatores domésticos que vinham sustentando a retirada de prêmios.
Na curva real, a alta ficou concentrada nos trechos mais longos, com destaque para o Tesouro IPCA+ 2050, que registrou a maior alta do dia, subindo de 7,25% no fechamento de terça-feira para 7,33% às 9h25, avanço de 8 pontos-base. Demais vencimentos também avançaram, com exceção do mais curto, para 2032, que ficou estável em 7,77%.
Nos prefixados, a alta foi ainda mais disseminada. O Prefixado 2029 subiu de 13,73% para 13,81%, o Prefixado 2032 foi de 14,04% para 14,11%, e o título com Juros Semestrais 2037 avançou de 14,09% para 14,15%.
O movimento acompanha a nova escalada no Oriente Médio. Os rebeldes do Iêmen atacaram alvos na Arábia Saudita, abrindo uma frente adicional no conflito que já envolve Estados Unidos e Irã, e os preços do petróleo voltaram a US$ 100 por barril. A commodity mais cara pressiona os custos de combustíveis, transporte e produção, o que se traduz em expectativa de inflação mais alta à frente.
Fatores que influenciaram as cotações do dólar e bolsa hoje:
-Ibovespa cai aos 185,6 mil pontos, dólar comercial sobe a R$ 5,10 e juros futuros avançam.
-Lula e Flávio Bolsonaro empatam no 1º e 2º turno.
-Crise no STF: ministro Flávio Dino determina reintegração de diretor-geral da PF ao cargo.
-Irã ataca base dos EUA na Jordânia e navios perto do Estreito.
No exterior
Os investidores também acompanham a possibilidade de aperto monetário nos Estados Unidos. Os mercados atribuem cerca de 67% de probabilidade a uma alta de juros pelo Federal Reserve na reunião de setembro, tendência que ganhou força desde o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole e foi reforçada pelo payroll de agosto, quando a economia americana criou 162 mil vagas, quase o triplo do esperado.
No cenário doméstico, os fatores que vinham puxando as taxas para baixo seguem presentes. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira reduziu de 5,01% para 5% a projeção para o IPCA deste ano, e a pesquisa Quaest apontou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno, cenário reforçado pela pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta.
O Copom se reúne nos dias 15 e 16 de setembro, com a Selic em 14% ao ano após o corte de agosto, e cada novo dado de inflação e atividade vem sendo lido pelo mercado como sinal sobre o espaço para nova redução de 0,25 ponto percentual.

Lula fala em crise no Judiciário e defende fim do sigilo nas investigações do Banco Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou nesta quarta-feira a existência de uma crise no Poder Judiciário e pediu o fim do sigilo em todas as investigações envolvendo o Banco Master, cuja relatoria está sob o comando do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, disse Lula na rede social X. “Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade.”
Essa foi a primeira manifestação direta do presidente sobre o caso depois que Mendonça decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, por supostamente fazerem monitoramentos ilegais contra ele e outras autoridades. A decisão foi revertida nesta quarta pelo ministro Flávio Dino, também do STF.
Com informações da Agência Reuters.






