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Campo Grande, 16 de setembro de 2026

Uefa ameaça boicotar torneios da Fifa e amplia crise com proposta de venda de ações

  • 31 de julho, 2026
  • Esportes
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Entidade europeia e suas 55 federações rejeitam plano de Gianni Infantino para de investidores privados. A medida pode atingir a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.

Gianni Infantino defendeu o plano como uma consulta e não uma obrigação, mas a ideia enfrentou forte resistência imediata de Uefa e de outras confederações.

A Uefa endureceu o confronto com a Fifa e aprovou, por unanimidade, uma posição de boicote às competições organizadas pela entidade máxima do futebol enquanto seguir em discussão o plano de vender participações a investidores privados.

A decisão foi tomada após reunião de emergência com as 55 federações europeias e foi descrita como resposta a uma proposta considerada “irresponsável e indefensável” pelos dirigentes do continente.

O que propõe a Fifa
O centro da polêmica é a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária privada destinada a administrar as principais competições da Fifa e parte de seus ativos comerciais.
A Fifa afirma que a empresa pode ser avaliada em cerca de US$ 20 bilhões e que a venda de até 20% das ações poderia render US$ 4,2 bilhões, recursos que seriam redistribuídos às federações filiadas.

Segundo a proposta, a injeção de capital permitiria ampliar os repasses anuais às federações e fortalecer o financiamento das competições masculinas, femininas e de base. Gianni Infantino defendeu o plano como uma consulta e não uma obrigação, mas a ideia enfrentou forte resistência imediata de Uefa e de outras confederações.

Impacto no Brasil
A medida pode afetar diretamente a Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para o Brasil. Como a Uefa representa 55 seleções nacionais, uma eventual manutenção do boicote deixaria fora do torneio algumas das principais forças do futebol feminino, inclusive equipes que estiveram entre as melhores da última edição.

Além do Mundial feminino, a disputa entre Uefa e Fifa também pode respingar em outras competições futuras, como o Mundial masculino de 2030 e o Mundial de Clubes, caso o impasse não seja resolvido antes da votação definitiva sobre o plano.

Uefa anuncia boicote a torneios da Fifa até que proposta de venda de ações seja cancelada.(Foto: Predrag MiloSavlJevic/AFP/ Evan Vucci TPX images of the day/ Reuters).

Reação da Uefa
Em comunicado, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo “não está à venda” e acusou a Fifa de conduzir uma proposta de grande impacto sem diálogo suficiente com as federações e demais atores do futebol. A entidade europeia também disse que não aceitará um modelo em que decisões esportivas passem a ser guiadas pelo retorno de investidores privados.

A confederação ainda classificou a iniciativa como um gesto de “governança pela intimidação”, defendendo que a competição pertence ao futebol e não deve ser tratada como produto de investimento.

Comunicado integral da Uefa
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da FIFA para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com os responsáveis pela gestão do esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Esta não é uma ‘decisão democrática’, mas sim uma governança pela intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial. Mas a nossa oposição vai muito além dos processos.

No momento em que investidores externos adquirem participações acionárias em competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser guiada pelo que é melhor para o esporte e passa a ser guiada pelo que é melhor para os acionistas.

Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cuja principal obrigação é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem ser subordinados ao retorno dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em busca de lucro.

A posição da Europa é clara. Jamais daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que simplesmente detém em custódia para a próxima geração.

Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.

Ninguém deve ter dúvidas: a UEFA e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação. Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos.

Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda.”

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