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Campo Grande, 29 de outubro de 2026

Só agora a prefeita impõe condições para mudar concessão do transporte coletivo

  • Geraldo Silva
  • 27 de julho, 2026
  • Transporte
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Adriane passou três mandatos ignorando caos no transporte coletivo e agora quer mostrar serviço que nunca fez.
Prefeita Adriane Lopes, ao lado do secretário municipal de Fazenda, Ulisses Rocha, e da vice-prefeita Camila (Foto: Maya Severino).
Depois de atravessar mais de 9,6 anos no poder, sendo 5,4 de vice-prefeita e o restante (quatro anos e oito meses) como titular do cargo, só agora  Adriane Lopes (PP) parece estar descobrindo quais são os estragos causados por seu desgoverno.
Uma das evidências da tardia descoberta é a atrapalhada e dispersiva intervenção no transporte coletivo, trocando a substituindo a direção do grupo concessionário (Consórcio Guaicurus)por uma junta de interventores.
Ao lavar suas mãos, tentando fugir das obrigações institucionais e políticas que lhe competem, a prefeita talvez acreditasse que decretando a intervenção ficaria livre de qualquer tipo de culpa ou reclamação pelos percalços do transporte coletivo.
Assim, ela continuaria tentando fazer a população responsabilizar apenas o consórcio. Enganou-se. Além de não conseguir ir além da pose de inocente, Adriane fez da intervenção mais um dos vários tiros nos pés dados por sua gestão.
Sede da HP Mobilidade Ltda em Goiânia (GO). (Foto: Reprodução).
O disparo foi dado já nos primeiros dias da intervenção, quando começou a ser desenhada a oferta de compra do consórcio por um grupo de outro Estado, o Maas Administração e Participações Ltda, que por sinal tem simpatizantes bem instalados nos poderes políticos e com bases afetivas locais. Logo em seguida mais uma “novidade”, com a revelação de que o real interessado na aquisição seria o HP Mobilidade, de Goiânia.  Assim, estabeleceu-se uma ardilosa confusão.
O negócio avançaria rapidamente, pois o Consórcio Guaicurus – segundo os interventores – estaria afundado nas dívidas e com graves problemas estruturais que o impedem de cumprir o contrato de concessão a contento.
Ora, isto não é novidade e a prefeita já sabe disso desde os dias em que ela era a vice de Marquinhos Trad (de 2017 a 2022). Sabia disso desde então e não tomou uma providência sequer, ainda que fosse ao menos cobrando as empresas a que fizessem o que está determinado nas cláusulas contratuais.
Mulheres passam a ter prioridade para sentar ao lado de janelas nos ônibus  de Campo Grande - Correio do Estado
Precocidade 
A negociação com a ‘Mass’ chamou atenção por um outro detalhe: a empresa foi criada em 16 de julho, apenas dois dias antes da assinatura do contrato de compra e venda, e registrada com capital social de R$ 10 mil para iniciar as suas atividades, oferecendo-se para um negócio próximo dos R$ 200 milhões.
No caso da HP Mobilidade, a venda, por depender da autorização da prefeita, vai melhorar as finanças dos atuais empresários do Consórcio Guaicurus. Entretanto, ninguém sabe o que será dos usuários, atirados à própria sorte por uma gestora que não quer gerir a cidade pela qual foi eleita.
Para botar banca, ela proclamou aos quatro ventos sua posição sobre a entrada da HP Mobilidade no município:  “Para entrar em Campo Grande, precisa fazer uma proposta de mudança ou não vai entrar. Se não tiver troca de ônibus, melhoria de serviço prestado e ar-condicionado, não vai entrar”. Esta posição ilustrada por bravatas ninguém havia ouvido desde quando ela se tornou prefeita.
Adriane Lopes: exigências tardias aprofundam o caos no transporte coletivo.
Ônibus circulando com prazo de validade vencido, insuficiência de ar condicionado e elevadores para cadeirantes, vácuos de linhas nos bairros e itinerários irregulares, pontos sem cobertura, ruas e terminais desassistidos e sem manutenção, tudo isso agravado pelo alto custo da passagem, atrasos e precariedade de espaço para os passageiros.
E a prefeita, que não viu nada disso ou simplesmente viu e ignorou, agora impõe condições que deveriam estar vigorando.
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