Mercado ajusta expectativas para juros no Brasil e nos EUA enquanto petróleo cai com trégua entre Washington e Teerã.

O Ibovespa inicia o pregão desta quinta-feira (18/06) em leve queda, refletindo a reavaliação dos investidores sobre os próximos passos da política monetária no Brasil após o comunicado do Banco Central, considerado mais brando do que o esperado. No cenário internacional, o Federal Reserve adotou um tom mais conservador, alinhado a outros bancos centrais.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira registrava recuo de 0,12%, aos 168.250 pontos.
O dólar à vista operava em alta frente ao real, acompanhando o movimento global da moeda americana. No mesmo horário, a divisa subia 0,61%, cotada a R$ 5,1391. Já o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,59%, aos 100,67 pontos.
Destaques do dia no mercado
1 – Inflação do aluguel desacelera
O IGP-M, conhecido como inflação do aluguel, registrou queda de 0,42% na segunda prévia de junho, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado representa uma desaceleração frente à alta de 0,86% observada no mesmo período de maio.
Na primeira prévia deste mês, o índice havia subido 0,21%.
O movimento foi puxado pela queda do IPA-M, que passou de alta de 0,98% em maio para recuo de 0,84% em junho. Por outro lado, o Índice de Custo da Construção acelerou de 0,73% para 0,91%, enquanto o IPC desacelerou levemente, de 0,52% para 0,40%.
2 – Copom reduz Selic e evita sinalizações futuras
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, na terceira redução consecutiva, em linha com as expectativas do mercado. A decisão foi unânime.
No comunicado, o Banco Central destacou a incerteza no cenário externo, especialmente em relação aos desdobramentos no Oriente Médio e seus impactos sobre as condições financeiras globais.
No ambiente doméstico, a autoridade monetária apontou aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, com maior contribuição de setores cíclicos. O Copom retirou do texto a indicação de continuidade do ciclo de cortes e afirmou que a magnitude dos próximos ajustes dependerá de novos dados econômicos.
Além disso, incluiu um novo risco altista para a inflação: estímulos à demanda, especialmente ao consumo, que possam levar a um crescimento acima do potencial da economia. O BC também passou a trabalhar com uma trajetória alternativa para a Selic, prevendo a convergência da inflação à meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028, e não mais no fim de 2027.
3 – Fed endurece tom e mercado antecipa alta de juros
O Federal Reserve divulgou seu Resumo de Projeções Econômicas, indicando possibilidade de mais uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros até dezembro e revisando para cima a projeção de inflação (PCE) em 2026, de 2,7% para 3,6%.
O destaque foi a primeira coletiva de Kevin Warsh como presidente do Fed. Ele sinalizou possíveis mudanças na comunicação da instituição e demonstrou ceticismo em relação ao gráfico de pontos (dot plot), afirmando que as projeções refletem um cenário altamente incerto.
Após a decisão, o mercado passou a apostar em uma alta de juros já em setembro. Segundo o FedWatch, do CME Group, a probabilidade desse movimento subiu para 69,5%.
4 – Acordo entre EUA e Irã reduz tensões
Os Estados Unidos e o Irã firmaram um acordo de paz que encerra as hostilidades e estabelece um prazo de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano. Embora o texto completo ainda não tenha sido divulgado, informações preliminares indicam a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão parcial das sanções americanas ao petróleo iraniano.
O acordo também prevê garantias territoriais ao Líbano, embora Israel resista a deixar áreas ocupadas no sul do país. A mediação foi conduzida pelo Paquistão, e o pacto entrou em vigor imediatamente após a assinatura.
5 – Petróleo cai com melhora na oferta
Os preços do petróleo recuam e atingem os menores níveis em quase quatro meses, pressionados pela perspectiva de aumento da oferta após o acordo entre EUA e Irã.
Por volta das 10h, o Brent para julho caía 1,61%, a US$ 78,29 o barril, em Londres. Já o WTI recuava 2,14%, negociado a US$ 75,16 o barril, em Nova York.
Com informações de Estadão Conteúdo







