Campo Grande lidera ranking com 2.716 registros em 2026; estado tem 12 feminicídios consumados até maio; campanha alerta para sinais de relacionamentos abusivos.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) lançou nesta segunda-feira (1º), em Campo Grande, a quarta edição da campanha “Você Merece um Amor Leve”, com foco na conscientização sobre violência doméstica e no acesso às redes de proteção disponíveis para mulheres em situação de risco.
A data escolhida para o lançamento é o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, reforçando o caráter simbólico da ação. A campanha busca não apenas alertar sobre os tipos de violência, mas também incentivar mulheres a buscar apoio antes que as agressões evoluam para casos mais graves.

Dados oficiais da SEJUSP-MS em 2026
A iniciativa chega em um momento crítico para o estado. De acordo com dados oficiais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP-MS), Mato Grosso do Sul já contabiliza 8.116 registros de violência doméstica entre janeiro e 16 de maio de 2026.
Campo Grande lidera o ranking de ocorrências no estado, com 2.716 casos de violência doméstica registrados no mesmo período, representando cerca de 33% do total estadual.
O cenário de feminicídios também é preocupante. O estado registrou 12 feminicídios consumados entre janeiro e maio de 2026, além de 27 tentativas de feminicídio apenas no primeiro trimestre do ano. Desses casos, 3 ocorreram em Campo Grande, enquanto os demais aconteceram no interior do estado.
Em apenas 10 dias de 2026, quase 500 mulheres foram vítimas de violência no estado – 478 no total, sendo 155 registros concentrados em Campo Grande.
A promotora de Justiça Lívia Carla Guadamhaim Bariani, idealizadora da iniciativa, destacou que, mesmo após anos de discussão pública sobre o tema, muitas mulheres ainda desconhecem os serviços e canais de ajuda disponíveis em Campo Grande e no estado. “Para ela, ampliar esse conhecimento é fundamental para salvar vidas”, afirmou.

Sobre a importância da Campanha
A violência doméstica pode se manifestar de diversas maneiras, indo além da agressão física. Entre elas estão a violência psicológica, caracterizada por chantagens, isolamento social e controle da vida da mulher; a violência moral, com ofensas e difamações; e a violência patrimonial, quando há destruição ou retenção de bens e documentos pessoais.
Outro ponto central da campanha é o alerta sobre o ciclo da violência, composto por fases de tensão, explosão e reconciliação. Esse processo tende a se repetir e se intensificar, dificultando que a vítima se desligue da relação abusiva, muitas vezes por medo, dependência emocional ou esperança de mudança do agressor.
A iniciativa é do Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais Violentos (Navit), coordenado pela Promotora de Justiça Renata Goya; do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Nevid), coordenado pela Promotora de Justiça Clarissa Torres; e do Grupo de Atuação Especial dos Promotores de Justiça do Tribunal do Júri (Nojuri), coordenado pela Promotora de Justiça Lívia Bariani, que também chama atenção para a importância da autonomia emocional e do fortalecimento da autoestima como fatores de proteção.
A dependência emocional pode levar à submissão, à perda de identidade e à dificuldade de romper vínculos prejudiciais.
Neste ano, a campanha reforça o chamado à responsabilidade coletiva no enfrentamento ao feminicídio, destacando que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas social. A mobilização envolve instituições públicas, sociedade civil e a população em geral, incentivando denúncias e o apoio às vítimas.

Sinais de alerta e rede de proteção
A campanha orienta mulheres a reconhecerem sinais de relacionamentos abusivos — como controle, ciúme excessivo, isolamento e humilhações — comportamentos que frequentemente antecedem episódios de violência física.
A rede de proteção em Mato Grosso do Sul inclui:
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Campo Grande
Casa da Mulher Brasileira – 17.355 atendimentos registrados em 2025 na capital
Centros de Referência de Atendimento à Mulher nas regiões
Ligue 180 — canal nacional de atendimento à mulher em situação de violência
Disque 190 — Polícia Militar em caso de emergência
Campo Grande registra, historicamente, índices preocupantes de violência doméstica, o que torna iniciativas como essa ainda mais relevantes para a capital sul-mato-grossense. A expectativa do MPMS é alcançar um público amplo por meio de materiais de comunicação distribuídos em espaços públicos e nas redes sociais.
A campanha estará ativa em todo o estado durante o mês de junho, com palestras, rodas de conversa e distribuição de material informativo em praças, shoppings e unidades de saúde de Campo Grande e cidades do interior.








