Prejuízo milionário: Preço da celulose e minério caem

Queda de 60% nos preços do ferro e 16% na celulose derrubam R$ 900 mi em exportações no quadrimestre em MS.

A retração persiste há 18 meses, impulsionada por excesso de oferta global e menor consumo chinês na celulose, como alertado pela Suzano em novembro de 2025, que cogitou corte na produção – medida ainda não adotada em MS, onde as indústrias seguem lucrativas.

Os preços da celulose e do minério de ferro exportados por Mato Grosso do Sul despencaram drasticamente no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação a 2025, com queda de 60% no minério e 16% na celulose, resultando em perdas de cerca de R$ 900 milhões para as famílias Batista e Feffer, donas da Eldorado e Suzano.

Na fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, ativada em julho de 2024, foram produzidas 890 mil toneladas de celulose nos primeiros quatro meses do ano, enquanto o volume exportado de celulose atingiu 2,21 milhões de toneladas – igual ao de 2025 –, mas o faturamento caiu de US$ 1,124 bilhão para US$ 941 milhões, com o preço médio por tonelada despencando de US$ 506 para US$ 426.

No setor de minérios, controlado pelos irmãos Batista via LHG Mining em Corumbá, as exportações subiram 58% para 3,019 milhões de toneladas apesar do baixo nível do Rio Paraguai, mas o faturamento mergulhou 35% para US$ 62,8 milhões, com o preço médio por tonelada caindo de US$ 50 para US$ 20.

Alerta para economia Sul-Mato-Grossense
A retração persiste há 18 meses, impulsionada por excesso de oferta global e menor consumo chinês na celulose, como alertado pela Suzano em novembro de 2025, que cogitou corte na produção – medida ainda não adotada em MS, onde as indústrias seguem lucrativas.

Em 2025, o volume de celulose exportada cresceu 48%, mas o faturamento subiu só 17%, de US$ 2,633 bilhões para US$ 3,111 bilhões, com preço médio por tonelada em queda de US$ 572,39 para US$ 451,34, gerando perdas acumuladas de R$ 4,5 bilhões frente a 2024.

Apesar dos investimentos em novas florestas de eucalipto, fábricas e mineração, as famílias Batista (fortuna de R$ 50 bilhões, 3ª mais rica do Brasil per Forbes) e Feffer (R$ 19 bilhões, 4ª) enfrentam alerta em dois pilares da economia local, atrás apenas das famílias Moreira Salles (R$ 128 bi, Itaú) e Marinho (R$ 51 bi, Globo).

A cotação do minério de ferro caiu 60% e a da celulose, quase 16% na comparação entre o primeiro quadrimestre do ano passado com igual período de 2026.

Investimentos prosseguem
O plantio de novas florestas de eucaliptos e a construção de uma nova fábrica de celulose seguem a todo vapor em Mato Grosso do Sul.

Da mesma forma estão os investimentos na extração e exportação de minério de ferro. Os dois setores estão nas mãos das famílias Feffer e Batista, duas das famílias que aparecem entre as quatro mais ricas do País.

Isso ocorre porque os preços da celulose e dos minérios estão em queda livre no mercado externo, o que acende um alerta em dois dos mais importantes setores da economia de Mato Grosso do Sul.

A cotação do minério de ferro despencou 60% e a da celulose, quase 16% na comparação entre o primeiro quadrimestre do ano passado com igual período de 2026.

Os dados, que fazem parte da Carta de Conjuntura das Vendas Externas, elaborados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável,  revelam que o preço médio da tonelada nos quatro primeiros meses do ano passado foi de 506 dólares. No primeiro quadrimestre deste ano, as empresas Suzano e Eldorado faturaram apenas 426 dólares por tonelada.

A retração de preços não é fenômeno recente. Já são pelo menos 18 meses de recuos contínuos.

No consolidado de 2025, as duas indústrias de Três Lagoas e a de Ribas do Rio Pardo deixaram de faturar R$ 4,5 bilhões se os preços forem comparados com os do ano anterior. Em 2025, o volume exportado cresceu 48% , mas o faturamento em dólar cresceu apenas 17%, passando de U$ 2,633 bilhões para U$ 3,111 bilhões. Isso significa que, em média, o valor da tonelada caiu de 572,39 dólares para 451,34 dólares.

Em novembro do ano passado, o comando da Suzano, maior produtora de celulose do mundo, alertou que o setor da celulose estava correndo risco de colapso global, uma vez que os preços estavam insustentáveis.

A explicação para a queda, segundo a empresa, era o aumento seguido da oferta e a queda no consumo, principalmente da China. Diante disso, a saída seria reduzir a produção. Esta retração, porém, não está ocorrendo nas indústrias de Mato Grosso do Sul, que ainda operam no azul.

Queda no faturamento
No caso da exportação de minérios, a situação é bem mais crítica. Nos primeiros quatro meses do ano passado, também com base dos números da Carta de Conjuntura, o faturamento por tonelada foi de US$ 50,00. Agora, este valor médio despencou 60% e está em apenas US$ 20,00.

No primeiro quadrimestre de 2025 foram exportadas 1.947.258 toneladas de minério de ferro, principalmente com as vendas feitas pela empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista atuante nas morrarias de Corumbá. Estas vendas garantiram faturamento de US$ 97,4 milhões.

Neste ano, o volume das exportações aumentou em quase 58%, chegando a 3.019.431 de toneladas, mesmo com o baixo nível do Rio Paraguai nos primeiros dois meses do ano. O faturamento, porém, foi despencou mais de 35%, ficando em US$ 62,8 milhões.

Ranking da ‘Forbes’
Conforme dados da revista Forbes, a família Batista, dona da Eldorado Celulose e da mineradora  LHG Minig, acumula fortuna de R$ 50 bilhões e é a terceira mais rica do Brasil.

Logo depois dela aparece a família Feffer, dona da Suzano, à qual é atribuído um patrimônio da ordem de R$ 19 bilhões. Em primeiro e segundo lugar neste ranking dos super ricos estão, respectivamente, a família Moreira Sales, dona do banco Itaú, e a família Marinho, dona da rede Globo.

Família Moreira Salles (R$ 128 bilhões)
Família Marinho (R$ 51 bilhões)
Família Batista (R$ 50 bilhões)
Família Feffer (R$ 19 bilhões)
Família Setubal (R$ 9,95 bilhões)

Com informações do Portal Correio do Estado