O advogado foi preso hoje temporariamente na Operação Obstructio, segunda fase da Infiltrados. O Ministério Público suspeita que informações sigilosas tenham sido repassadas antes do cumprimento dos mandados contra policiais e investigados.

O advogado foi preso temporariamente na manhã desta terça-feira (29/09), em Campo Grande, durante a Operação Obstructio, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
A ação é a segunda fase da Operação Infiltrados, deflagrada na quinta-feira (24/09) para investigar um suposto esquema de desvio de entorpecentes apreendidos e posterior repasse da droga a traficantes. Além do mandado de prisão temporária, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na Capital.
Segundo o Ministério Público, há elementos que indicam que informações sigilosas sobre as diligências da primeira fase foram comunicadas de forma criminosa antes do cumprimento das ordens judiciais. Na avaliação dos investigadores, o possível vazamento teria prejudicado o andamento da apuração sobre a organização criminosa.
Suspeita é de obstrução das diligências
O nome dado à nova ofensiva, Obstructio, faz referência à obstrução ou à criação de obstáculos. Para o MPMS, a denominação está relacionada à suspeita de que informações restritas tenham sido obtidas e repassadas com o objetivo de dificultar ou comprometer o cumprimento de medidas determinadas pela Justiça.
O Gaeco não detalhou, até o momento, qual conteúdo teria sido vazado, a origem das informações, a quem elas teriam sido repassadas nem em que circunstâncias o suposto vazamento teria ocorrido. Esses pontos ainda são alvo de investigação.
Como o alvo é advogado, representantes da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul) acompanharam o cumprimento das medidas, conforme prevê a legislação para diligências que envolvem escritório ou atuação profissional de advogado.
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Ligação com a Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco na última quinta-feira (24/09) em Campo Grande, Dourados e Terenos. A investigação apura suspeitas de que agentes públicos teriam utilizado cargos e acesso às estruturas de segurança para desviar principalmente cocaína apreendida em ocorrências policiais.
De acordo com o MPMS, o grupo teria agido de duas formas: omitindo parte dos entorpecentes dos registros oficiais ou retirando drogas de depósitos de delegacias. A suspeita é de que o material fosse entregue novamente a traficantes ligados à organização criminosa para voltar ao comércio ilegal. A investigação teve início em outubro de 2025, a partir de elementos reunidos nas operações Traquetos e Blindspot.
Na primeira fase, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, Batalhão de Choque, Bope e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
Delegado foi preso após se apresentar
Entre os alvos da Operação Infiltrados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, então lotado na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Ele se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil no fim da tarde de quinta-feira, depois de não ter sido localizado em casa no início das diligências, e teve a prisão cumprida.
Hoffman foi titular da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) entre 2019 e fevereiro de 2026, comandou o Garras e, em junho deste ano, foi removido para a 6ª Delegacia. A investigação atribui a ele e aos demais envolvidos suspeitas de participação no esquema de desvio de drogas, versão que deverá ser analisada pela Justiça no decorrer do processo.
A Polícia Civil afastou compulsoriamente oito policiais presos na operação, incluindo o delegado. As determinações preveem recolhimento de armas, carteiras funcionais e bens públicos, além da suspensão de acessos a sistemas como SIGO e Infoseg enquanto persistirem as prisões preventivas.
Defesa e investigação
O advogado havia atuado na defesa de Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa durante a primeira fase da operação. Na ocasião, ele confirmou que o delegado não estava em sua residência no momento do cumprimento dos mandados e informou que a defesa aguardava acesso aos autos para se manifestar.
Até a última atualização desta reportagem, não havia posicionamento público da defesa do advogado preso nesta terça-feira sobre a Operação Obstructio. O espaço permanece aberto para manifestação.
A prisão temporária e as buscas integram a fase de investigação e não significam condenação. O Gaeco seguirá apurando quem teve acesso às informações, de onde partiram os dados e se o suposto repasse teve impacto no cumprimento das medidas da Operação Infiltrados.








