Caso intriga famílias e autoridades: pertences ficam no local, celulares não respondem e polícia investiga se há envolvimento com facção ou crime.

Três jovens de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, estão desaparecidos desde a madrugada de sábado (04/04) depois de serem vistos pela última vez em um alojamento de trabalhadores no galpão “Metafer”, em Campo Novo do Parecis (MT), onde montavam a feira Parecis Super Agro.
Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23, e Breno Gabriel Soares Cabral, de 21, chegaram à cidade para trabalhar na montagem do evento e foram vistos por colegas por volta de 0h40, ainda acordados, conversando e fumando, mas já não estavam mais no alojamento quando o grupo deveria retomar as atividades, às 7h.
Como o sumiço foi percebido
Os pertences pessoais dos três permaneceram no alojamento, o que aumenta o estranhamento em torno da situação. O celular de Wagner foi encontrado no carregador, indicando que ele não teria saído com intenção de viajar ou se afastar por longo período.
Já os aparelhos de Breno e Wilquison desapareceram com os donos e, desde então, não recebem ligações nem mensagens, nem aparecem em rede, o que alimenta suspeitas de que possam ter sido desligados ou descartados.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Campo Novo do Parecis, com boletim de ocorrência que detalha que os jovens não avisaram destino, nem utilizaram transporte conhecido ou formal, o que torna o desaparecimento ainda mais incomum.
Policiais do Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul estão articulando informações entre si, e as famílias seguem em estado de angústia, sem contato direto com os três desde então.
Possíveis pistas e contexto
Durante o registro da ocorrência, um dos comunicantes relatou ter ouvido os rapazes comentarem que levariam uma pequena quantidade de maconha consigo para consumo próprio, o que não indica crime maior, mas pode ter sido registrado como elemento de contexto pelas autoridades. Também foi mencionado que Wilquison poderia nutrir certa simpatia por uma facção criminosa, hipótese que até agora não foi confirmada oficialmente e continua sob avaliação da investigação.
A mãe de Breno, Elaine, afirmou que o celular do filho chegou a indicar uma última localização em Goiás, o que ampliou a preocupação da família, mas ela descartou que o jovem tenha feito intenção de seguir para aquele estado. “As roupas ficaram no alojamento, um dos celulares está no carregador e os outros não atendem. É muito difícil viver assim, sem saber o que aconteceu”, disse Elaine, que caracteriza o filho como comunicativo, ligado à família e com planos de futuro.
Rotina, planos e ânimo da família
Breno havia acabado de concluir o ensino médio, segundo familiares, e planejava iniciar um curso técnico, além de tirar a carteira de habilitação. Ele também tinha o objetivo de comprar uma motocicleta e conquistar bens ao longo do tempo, contrariando a ideia de que pudesse ter sumido “por vontade própria” sem deixar qualquer sinal.
O jovem convivia com diagnóstico de ceratocone, doença que afeta a córnea, mas mantinha rotina normal, fazia planos e mantinha contato frequente com parentes, o que aumenta a sensação de que algo fora do comum ocorreu.
A família de Campo Grande reforça que os três estavam apenas em Campo Novo do Parecis para trabalhar na montagem da feira agropecuária e que não havia conflitos aparentes com colegas ou com a empresa contratante.
A expectativa é que a Polícia Civil, em conjunto com equipes de investigação, consiga cruzar câmeras de segurança, registros de celulares e rotas de transporte até encontrar uma pista concreta sobre o paradeiro dos jovens.
Apelo e orientações
Diante do cenário, as famílias e autoridades reforçam um apelo à população: qualquer pessoa que tenha visto os jovens, tenha recebido contato de um deles, ou que saiba de qualquer informação sobre o desaparecimento deve repassar imediatamente à Polícia Civil de Campo Novo do Parecis ou à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa em Campo Grande, que acompanha o caso.






