Clube contesta antecipação de juros de 2026. O contrato de 2022 exige reserva de 50% de prêmios para garantir parcelas de R$ 600 mi. O mecanismo visa garantir o pagamento das obrigações do clube caso outras fontes de receita falhem.

A Caixa Econômica Federal bloqueou R$ 35 milhões da premiação de R$ 77 milhões que o Corinthians recebeu da CBF pelo título da Copa do Brasil, ocorrido em 2025.
O bloqueio, executado no final de dezembro de 2025 para cumprir exigências contratuais da Arena Corinthians em Itaquera, direciona metade do valor para uma “conta reserva” controlada pelo banco, usada como garantia de pagamento de dívidas.
Origem do bloqueio e acordo de 2022
O mecanismo foi estabelecido em contrato assinado em 2022 entre Corinthians e Caixa para financiar a Arena em Itaquera, com dívida atual de cerca de R$ 650 milhões dentro do endividamento total do clube de R$ 2,7 bilhões.
O acordo exige que a conta reserva acumule saldo equivalente a quatro parcelas trimestrais de amortização e juros – entre R$ 80 e R$ 120 milhões, com cada parcela variando de R$ 20 a R$ 30 milhões.
A retenção de 50% dos recebíveis de premiações, como os R$ 35 milhões da Copa do Brasil, e 30% das vendas de atletas alimenta prioritariamente essa reserva; o clube tinha prazo até 31/12/2025 para consolidar o montante do ano.
Situação financeira geral do Corinthians
O Corinthians enfrenta grave crise financeira, com dívida bilionária que compromete operações diárias. A premiação da Copa do Brasil, R$ 77 milhões, destinava-se parcialmente ao pagamento de “bicho” aos jogadores e à quitação do transfer ban imposto pela Fifa, além de compromissos de início de 2026.
A Arena gera receitas de bilheteria (55% repassados à Caixa desde 2025), naming rights e direitos de transmissão (100%), mas as garantias incluem alienação fiduciária da sede no Parque São Jorge e aprovação bancária para decisões institucionais.
Controvérsia e riscos de inadimplência
A diretoria alvinegra contesta o bloqueio, alegando que a Caixa antecipa juros de 2026 com receitas de 2025. O banco, porém, justifica a medida como cumprimento de metas de liquidez; sem recomposição em 90 dias após notificação, configura inadimplência, autorizando bloqueio de outras contas e vencimento antecipado da dívida total. O próximo pagamento vence em março de 2026, ampliando a pressão sobre o clube em meio a resultados esportivos irregulares no Brasileirão e Copa Libertadores.
Com informações do Estadão






