Para Adriane, gestão humanista é sapecar aumentos de até 396% na carga tributária dos campo-grandenses.

Em janeiro, quando começa o período de pagamento de encargos tributários, a população de Campo Grande será obrigada a desembolsar quantias absurdas para ficar em dia com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Ou paga ou sofre as consequências, com lançamento de seu nome na Dívida Ativa e outras restrições impostas pela prefeitura. Ao contribuinte, no entanto, outra pancada do desgoverno é a contradição de uma gestora que prega a gestão humanista dando calote nos servidores e nas demandas da cidade e ao mesmo tempo inflando a carga tributária.
Os reajustes aplicados pela prefeita Adriane Lopes (PP) como um presente amargo de Natal e Ano Novo aos seus munícipes é a tabela de reajustes do IPTU, que variam de 7% e 396%. É evidente que dezenas ou milhares de ações serão protocoladas na Justiça contra a prefeitura. Mas, apesar deste direito consolidado, para o qual a primeira prefeita eleita da Capital não dá a mínima importância, a política do arrocho contradiz sua pregação humanamente mal sustentada.

Consta que, inicialmente, o reajuste do IPTU decretado seria leve, de 5,32% para qualquer imóvel, parametrizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, a prefeita usou os mesmos parâmetros para reajustar a Planta Genérica de Valores (PGV), sem ter a sustentação necessária de uma Lei Complementar aprovada pela Câmara de Vereadores, algo que seria facílimo tendo em vista a folgada maioria governista no Legislativo.
Os especialistas, como frisou inclusive, o site Voz MS – dizem que na prática a PGV estabelece o valor do metro quadrado de terrenos e construções em cada região urbana, levando em conta critérios objetivos, tais como as benfeitorias e os serviços públicos. “Entretanto, a PGV não avalia imóvel por imóvel individualmente, porque padroniza valores por zonas, bairros ou logradouros”.
Argumentos frágeis
Causa indignação quando Adriane sobe o tom para gargantear suas razões e defender a bordoada no lombo e no bolso do povo. No dia 09 deste mês, aos sorrisos, ela fez propaganda do seu Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF). Afirmou que o mecanismo vai garantir “responsabilidade nos gastos públicos” e, simultaneamente, fazer a gestão avançar nos investimentos pela cidade. E ainda anunciou que, com o PEF, mais de 33 bairros serão contemplados com obras de asfalto.
No entanto, 72 horas depois Adriane Lopes soltou seus foguetes retóricos ao anunciar “um passo decisivo para acelerar obras e garantir mais investimentos na cidade”. Referia-se à adesão da prefeitura ao tal do PEF, “que reconhece a responsabilidade da nossa gestão e abre caminho para novas operações de crédito com o aval da União”.
No vídeo que divulgou nas redes sociais, posando ao lado da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, a prefeita falou da operação de empréstimo de R$ 544 milhões “para obras de pavimentação e drenagem em 33 bairros, respondendo a demandas históricas da nossa população”. A primeira etapa, de R$ 156 milhões, já foi autorizada pela Câmara Municipal. “Seguimos firmes: planejamento, transparência e responsabilidade fiscal para transformar nossa cidade e melhorar a vida de quem mais precisa”, elogia-se Adriane.
A prefeita pode derramar elogios a si mesma que não vai esconder a realidade nua e crua de sua desastrosa performance na política. Este é mais um dos inúmeros casos do caos assinado por ela. A prefeitura, já sem o tradicional e histórico lastro financeiro, aperta mais a corda no pescoço do caixa e segue dando o calote – que o digam as empreiteiras, que por falta de pagamento deixaram de fazer por um longo tempo o serviço de tapa-buracos, e os servidores municipais, sem atualização de salários há anos.
E Adriane segue desfilando, de calote em calote, afundando os campo-grandenses num lamaçal de expectativas frustradas.






