Uma operação policial de grande escala nos complexos do Alemão e da Penha, deflagrada na madrugada de terça-feira (28/10/2025) e conhecida como Operação Contenção, desencadeou confrontos intensos, bloqueios em várias vias, uso de ônibus como barricada, ataques com drones, saques em estabelecimentos, sobrecarga de hospitais e um balanço humano que ainda está sendo apurado.
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O governo do Estado divulgou um primeiro balanço oficial (64 mortos, incluindo quatro policiais), mas moradores e veículos de imprensa relataram a descoberta de dezenas de corpos na mata da Vacaria — levados por populares para a Praça São Lucas e para o Hospital Getúlio Vargas, o que pode elevar muito esse total.
A Procuradoria-Geral da República foi chamada a se manifestar pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que assumiu o processo ligado à ADPF das Favelas.
Por que a operação foi feita
Segundo o governo estadual, a ação teve objetivo de desarticular a estrutura do Comando Vermelho (CV) na região, cumprir mandados resultantes de investigações de longa duração e prender lideranças que coordenariam o crime organizado local. O Estado afirma que a operação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes (Polícia Civil, Polícia Militar e unidades especiais) e incluiu apoio do Ministério Público estadual. O secretário de Segurança justificou a ação como fruto de inteligência e planejamento.
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O que aconteceu durante o dia — efeitos na cidade
Bloqueios e barricadas – Em retaliação à ação, traficantes ordenaram bloqueios em importantes corredores do Rio — Avenida Brasil, Linha Amarela, Linha Vermelha e trechos da Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, usando ônibus e outros veículos como barricada.
O sindicato Rio Ônibus informou que até 96 ônibus chegaram a ser usados como barricadas e 204 linhas foram impactadas. A prefeitura elevou o estágio de emergência ao Estágio 2 antes de voltar ao Estágio 1 nas primeiras horas de hoje (29/10), quando as vias foram gradualmente liberadas (a Grajaú-Jacarepaguá foi uma das últimas a ser liberada).
Transporte e deslocamento
Com grande parte da frota recolhida e linhas afetadas, estações e terminais viram aglomerações e passageiros foram forçados a caminhar longas distâncias; empresas de ônibus determinaram retorno às garagens em vários trechos, deixando muitos cariocas a pé.

Explosões e drones
Testemunhas e corporações relataram o uso de drones por parte do crime para lançar explosivos contra as equipes de segurança durante os confrontos, além de intensos tiroteios e o uso de coquetéis molotov e barricadas em chamas.
Saque e desordem
Imagens e relatos mostraram pessoas saqueando mercados e estabelecimentos em áreas afetadas, em meio ao cenário de violência e à presença de corpos nas ruas.
Trânsito e serviços
Além das vias expressas interditadas em momentos do dia, serviços e estabelecimentos encerraram expediente mais cedo; o Centro de Operações e Resiliência e a Prefeitura informaram sobre retorno gradual à normalidade já nas primeiras horas de quarta (29/10).
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Hospitais e número de feridos e mortos
Balanço oficial do governo do Estado: o governo divulgou que a operação resultou em 64 mortos — entre eles 4 policiais — além de dezenas de presos e armas apreendidas (mais de 90 fuzis, segundo informes). Houve também registro de policiais feridos.
Relatos de moradores e achados na mata: Após a ação, moradores do Complexo da Penha relataram e passaram a levar dezenas de corpos encontrados na área de mata da Vacaria (Serra da Misericórdia) para a Praça São Lucas e para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, veículos de imprensa circularam números que variam (55, 60, até relatos de 70), todos ainda não integrados ao balanço oficial no momento das primeiras apurações.
Se estes corpos forem confirmados como resultado dos confrontos, o total de mortos pode ultrapassar 120, diferente do que foi divulgado inicialmente.
Quem encontrou e como foram levados os corpos apresentados hoje de manhã: os relatos indicam que foram moradores e lideranças comunitárias que desceram à mata, coletaram corpos e os levaram para a praça para facilitar reconhecimento por parentes; ativistas locais (por exemplo, Raul Santiago citado em reportagens) ajudaram no translado. Algumas remessas chegaram em kombis ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha.
A Polícia Civil informou que fará perícia para confirmar causas das mortes e que o atendimento para reconhecimento será organizado.
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Corpos na mata: onde estão, quem avisou e o que vai acontecer
Informações consolidadas apontam a área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, como o local onde ocorreram confrontos mais intensos e onde moradores encontraram cadáveres.
A Polícia Civil e o Ministério Público foram comunicados; o IML e a perícia foram acionados para exames e identificação. As autoridades afirmaram que vai haver investigação para verificar a relação entre os corpos e a operação; o atendimento para reconhecimento oficial foi organizado no entorno do IML/DETRAN, com acesso controlado.
Quantos policiais participaram e os mortos entre policiais
O Estado informou que a operação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes de diversas corporações. No balanço oficial inicial constam quatro policiais mortos (dois civis e dois militares, segundo informes). Há também registro de policiais feridos — números variam conforme a fonte e o relatório final da polícia.
Posição do governo federal e do STF
Governo federal: houve contato e mobilização em Brasília — a Casa Civil e ministros do Executivo foram informados; o ministro da Casa Civil, Rui Costa, comunicou ao governador Cláudio Castro a disponibilidade de vagas em presídios federais para transferência de líderes apontados como articuladores. O presidente em exercício acompanhou a situação e convocou reuniões de monitoramento. O governo federal anunciou que enviaria comitiva e apoio institucional para tratar do caso.
STF e Alexandre de Moraes: o ministro Alexandre de Moraes assumiu o comando do processo ligado à ADPF das Favelas e determinou que a PGR se manifeste em 24 horas sobre pedidos do Conselho Nacional de Direitos Humanos que cobram esclarecimentos sobre a operação (justificativa, medidas adotadas às vítimas e mecanismos de responsabilização por eventuais violações). A decisão impõe prazo curto e deixa o caso sob supervisão direta do STF.
Como a comunidade amanheceu
Relatos e imagens das primeiras horas mostram a Praça São Lucas cheia de parentes e moradores, buscas por desaparecidos, prática de reconhecimento de corpos por familiares e um clima de luto, choque e revolta.
Havia patrulhamento reforçado nas entradas dos hospitais e das comunidades; ao mesmo tempo, moradores relataram medo, ruas ainda com sinais dos confrontos e relatos de corpos no alto do morro aguardando remoção. Autoridades dizem que o patrulhamento foi ampliado para garantir ordem e o direito de ir e vir.
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Quem são os policiais mortos
Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, recém-promovido a chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita);
Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP (Pavuna);

Cleiton Serafim Gonçalves, policial do Bope;
Heber Carvalho da Fonseca, policial do Bope.
Os policiais chegaram a ser socorridos e encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiram aos ferimentos. O sargento Serafim tinha 42 anos e ingressou na Corporação em 2008. Ele deixa esposa e uma filha. O sargento Heber tinha 39 anos e ingressou na Corporação em 2011. Ele deixa esposa, dois filhos e um enteado.
Balanço da operação
60 suspeitos mortos em confronto. Dois eram da Bahia; outro, do Espírito Santo.
2 policiais civis e 2 policiais militares foram mortos. Outros 15 policiais ficaram feridos.
Além deles, 3 inocentes foram feridos: um homem em situação de rua foi atingido nas costas por uma bala perdida e levado para o Getúlio Vargas; uma mulher que estava em uma academia também foi ferida, mas já recebeu alta; e um homem que estava num ferro-velho.
81 pessoas foram presas.
Policiais apreenderam 93 fuzis, 2 pistolas e 9 motos.
Operador do CV preso
Entre os mais de 80 presos está Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do Comando Vermelho da região. Outro capturado é Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos altos chefes do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que a operação foi desenhada com antecedência e não contou com apoio do governo federal. “Toda essa logística é do próprio estado. São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem no Rio de Janeiro”, disse.
Santos destacou que cerca de 280 mil pessoas vivem nas áreas afetadas pela operação. “Essa é a realidade. Lamentamos profundamente as pessoas feridas, mas essa é uma ação necessária, planejada, com inteligência, e que vai continuar”, afirmou o secretário.
Mais tarde, em entrevista coletiva, o governador Cláudio Castro afirmou que o governo federal negou ajuda para operações policiais no RJ e que, por isso, o estado “estava sozinho” nesta manhã nos complexos do Alemão e da Penha.“Tivemos pedidos negados 3 vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, reclamou Castro.
Em resposta, o governo federal negou a falta de ajuda e disse que tem atendido prontamente a todos os pedidos do governo do estado para o emprego da Força Nacional.






