Mães atípicas fizeram várias manifestações, mas continuam ignoradas

No dia 16 deste mês, após sofrerem intensa e contundente pressão da sociedade, os poderes Legislativo e Executivo fizeram um “carnaval” para anunciar que tinham dado fim ao drama das chamadas mães atípicas, mulheres que cuidam das pessoas e crianças com deficiência. A solução seria uma verba de R$ 535 mil oriunda de projetos de lei para as emendas impositivas ao orçamento, destinada à compra de fraldas e outros insumos utilizados neste segmento de atenção especial.
Além de representar uma ninharia que mal dá para cobrir despesas de um mês para metade das beneficiárias, os recursos orçamentários não consideram a dimensão de necessidades neste exercício. Consequência: a solução anunciada não durou sequer um mês.
Durante a audiência pública de prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (30), as mães atípicas voltaram a levantar suas vozes indignadas contra o descaso, já que continua a situação de penúria das pessoas com deficiência e das suas cuidadoras. Privados de medicamentos e insumos essenciais, como antidepressivos e fraldas, sem as dietas regulares, atendimento odontológico precário e até o transporte prejudicado, com seis ambulâncias paradas, os pacientes experimentam na pele e no emocional o peso doloroso da insensibilidade.
INÉRCIA
Nem mesmo a intervenção do Ministério Público (MPE) fez com que Prefeitura se posicionasse para resolver o problema. A prefeitura, inerte diante de um problema que se arrasta há anos, parece esperar que caia do céu uma solução de responsabilidade dos terrenos.
A população elegeu 29 vereadores para que, entre suas obrigações irrecorríveis, fiscalizassem os atos e as omissões da prefeita, que saiu das urnas para nos dias seguintes ao resultado vitorioso esquecer-se das promessas que fez para conquistar os votos. Assim, o drama das mães atípicas e daquelas pessoas a quem cuidam se prolonga, pintando com cores cinzentas e melancólicas o retrato de uma cidade sem gestão e carente de representação política e institucional que faça jus, de fato e de direito, às investiduras de plantão.








