Balança bilateral registra US$ 16,7 bilhões em vendas, com destaque para produtos industrializados e agroexportações que mantêm competitividade.

O comércio entre Brasil e Estados Unidos registrou desempenho recorde de janeiro a maio de 2025, com as exportações brasileiras atingindo US$ 16,7 bilhões — um aumento de 5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do relatório de maio do Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Amcham Brasil.
Embora o cenário global seja marcado por tarifas aplicadas pelos EUA às importações (como as alíquotas de 10% a 25% impostas em abril), as vendas brasileiras, especialmente de bens industrializados, continuam resilientes .
Crescimento e perfil das exportações
No total, 79% das exportações brasileiras para os EUA entre janeiro e maio foram compostas por produtos industrializados — incluindo aeronaves, combustíveis, alimentos processados, produtos químicos e máquinas.

Destaques do período incluem:
Carne bovina: alta de 196%
Sucos de frutas: +96,2%
Café: +42,1%
Aeronaves: +27%
Em maio, apenas as exportações somaram US$ 3,6 bilhões, crescimento de 11,5% na comparação anual — e 16,8% a mais em volume embarcado, apesar da queda de 5,2% nas importações dos EUA.
Importações e déficit no acumulado
As importações de produtos americanos pelo Brasil chegaram a US$ 17,7 bilhões entre janeiro e maio, alta de 9,9%. Com isso, o déficit comercial acumulado atingiu US$ 1 bilhão no período. .
Produtos como motores, máquinas não elétricas, óleos combustíveis, petróleo bruto e aeronaves tiveram crescimento expressivo nas compras brasileiras.
Tarifas impactam setores específicos
Apesar do desempenho geral positivo, setores como celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia registraram retração nas exportações para os EUA. O impacto é atribuído à combinação de tarifas de até 10% e à concorrência de países do USMCA, como o Canadá.
No mercado de aço semiacabado, observa-se crescimento (7,3% em valor e 28,4% em volume), mas parte das exportações pode estar sendo redirecionada via México — possivelmente influenciada pela elevação de tarifas de 25% para 50% em 4 de junho.
O contexto geral do comércio bilateral
O comércio entre Brasil e EUA atingiu US$ 20 bilhões no primeiro trimestre de 2025 — o maior valor já registrado para esse período
Apesar do déficit brasileiro, persiste o entendimento de que a relação comercial é estratégica para ambos os países.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, ressaltou que, mesmo diante de desafios como tarifas e concorrência internacional, o comércio entre Brasil e EUA permanece “resiliente e estratégico”.








